quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Resumo de "Capitães da Areia"


RESUMO “CAPITÃES DA AREIA” (1937) - JORGE AMADO


AUTOR E OBRA
  Jorge Amado passou a infância em Ilhéus até mudar-se para Salvador.Os exemplares da primeira edição de Capitães da Areia(1937) foram aprendidos pelo Estado Novo(1937-1945) e o autor foi obrigado a viver no exílio entre 1941 e 1944.
  Quando voltou se tornou deputado do Partido Comunista Brasileiro.Dois anos depois seu partido foi declarado ilegal e ele seguiu para um novo exílio, voltando só em 1952.Em 1955 deixa a política para se dedicar integralmente à literatura.


TEMPO E ESPAÇO
  A história se passa na cidade de Salvador, capital da Bahia, entre 1918 e 1935, aproximadamente.Grande parte da história se passa no trapiche, um lugar que não era público nem privado, mas um espaço degradado e marginal, de que os Capitães da Areia tomam posse.O trapiche era infestado por ratos, indiciando a sub-humanidade a que os meninos do bando são submetidos.
  A cronologia não é completamente linear.Em alguns momentos a narrativa apresenta momentos ocorridos antes do nascimento de Pedro Bala, por meio de flashes do passado.As vezes também ocorre flashes do futuro.


CARACTERÍSTICAS DA OBRA
*É uma obra neorrealista regionalista

*Linguagem popular -> as vezes acontece repetição de palavras e ênfase de hipérboles

*Está presente na obra digressões, como quando é contado a origem do sobretudo que Professor usava e o que ele significará em seu futuro, quando ele for um famoso pintor

*Nas reportagens e nas cartas de certas autoridades a linguagem ostenta uma pompa retórica.O contraste entre esses textos e o resto do livro causa um efeito crítico e sutilmente humorístico

*O narrador é em terceira pessoa e onisciente.Possuía uma linguagem culta, mas era diferente daquela apresentada nas reportagens.Assume a defesa na transformação revolucionária da sociedade, demonizando as classes superiores e idealizando romanticamente a personalidade e a ação do proletariado marginal

*O enredo possuí dois tipos de ações:
   - as circunstanciais(episódios): encerram em si mesmas, sem fazer avançar a narrativa, caracterizando a vida coletiva dos meninos abandonados(evidencia a cidade dividida entre ricos e pobres);
   - as dinâmicas(peripécias): momentos que modificam o modo de agir das personagens


PERSONAGENS
João Grande: integrante dos Capitães da Areia, negro, extremamente bondoso e protetor, era o mais alto e mais forte do grupo.Durante a noite dormia na entrada, vigiando o trapiche.Fugiu de casa quando seu pai morreu, foi quando achou o grupo.

Querido-de-Deus: pescador, ótimo capoeirista, era amigo dos Capitães da Areia, dando aula de capoeira para alguns dos integrantes e ajudando eles em alguns assaltos.

João José, o Professor: integrante dos Capitães da Areia, adorava ler(roubava livros), muito criativo e um ótimo desenhista(possuía o dom)."Pedro Bala nada resolvia sem o consultar várias vezes, foi a imaginação do Professor que criou os melhores planos de roubo."

Pedro Bala: protagonista, chefe dos Capitães da Areia, loiro, possuía uma cicatriz no rosto(feita pelo ex-chefe do grupo, Raimundo), inteligente, corajoso, ágil, leal.Tinha um jeito natural para liderar, um senso de justiça: "trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe".Conhecia Salvador inteira.

Gato: membro dos Capitães da Areia, era ágil, elegante e bem-arrumado(acreditava que havia nascido para uma vida rica).Antes de entrar no Capitães da Areia participava de um outro grupo de abandonados.

Pirulito: integrante dos Capitães da Areia, magro, alto, extremamente religioso.Queria ser sacerdote.

Sem-Pernas: participava dos Capitães da Areia, tinha uma voz estrídula e fanhosa, coxo.Era o espião do grupo: analisava o lugar antes do grupo saquear, uma vez que possuía a habilidade de se fingir de "bom menino".Tirava sarro dos outros meninos do grupo(fama de malvado).Fazia isso para se esconder de sua própria desgraça.No fundo sentia uma enorme carência de afeto, o que alimentava seu ódio e vingança.

Boa-Vida: integrante dos Capitães da Areia, mulato feio, bissexual(não conseguia namorar mulheres pela sua feiúra), preguiçoso, desleixado, vagabundo.

Padre José Pedro: padre bondoso, altruísta, simples, esforçado, amigo dos Capitães da Areia.

Dalva: bela prostituta com a qual Gato saia, 35 anos.

Barandão: integrante dos Capitães da Areia, negro, corajoso, bissexual.

Almiro: membro dos Capitães da Areia, gordo, preguiçoso, bissexual.

Volta-Seca: participava dos Capitães da Areia, quieto, afilhado de Lampião(pelo qual possuía extrema admiração), perturbado(se imagina matando outras pessoas).

Nhozinho França: bêbado, dono de um velho carrossel.

Margarida: velha, magra, rica e preconceituosa.Odiava os Capitães da Areia.

João de Adão: negro, forte, líder dos estivadores(pessoas que trabalhavam na embarcação/desembarcação dos navios), amigo dos Capitães da Areia, dono de um armazém, possuía uma consciência e militância política.

Raimundo “Loiro”: pai de Pedro Bala, estivador, valente, altruísta, muito respeitado, assassinado por policiais enquanto discursava em uma greve.

Don’Aninha: magra, alta, negra, mãe de santo, amiga dos Capitães da Areia.Auxiliava os necessitados com seus conhecimentos de medicina popular e amparava espiritualmente as pessoas.

Gringo: participava dos Capitães da Areia, estrangeiro, falava enrolado, o mais zoado pelo Sem-Pernas.

Dora: loira, bonita, perdeu os pais pela varíola, extremamente valente, adorada pelos Capitães da Areia.Se apaixonou por Pedro Bala e foi correspondida.Possuía um irmão: Zé Fuinha.

Alberto: amigos dos Capitães da Areia, só aparece no final da narrativa.Era ativista político de esquerda e ajudava os grevistas.Influencia muito a vida de Pedro Bala.


SÍNTESE
O livro se inicia com uma reportagem e várias cartas sobre ela publicadas no "Jornal da Tarde.

Reportagem
Denuncia mais uma assalto dos Capitães da Areia, um grupo de aproximadamente 100 crianças de 8 a 16 anos, dessa vez em um casarão de uma bairro rico.Um jardineiro, que tentou impedir os meninos, foi ferido.Testemunhas afirmaram que o chefe do grupo possuía uma cicatriz no rosto.O jornal pede a ação do chefe de polícia e do juizado de menores em relação ao grupo.

Carta do secretário do chefe de polícia a redação
Deixou claro que a polícia não pode e nem poderia tomar nenhuma ação, devido aos assaltantes possuírem menor idade, sem a autorização do juizado de menores.A carta foi publicada no jornal com destaque.

Carta do juiz de menores a redação
Afirmava que o juizado de menores não tinha a função de capturar as crianças, tal função era da polícia.Seu trabalho era apenas designar o local onde abrigá-las.A carta foi publicada no jornal com destaque.

Carta de uma mãe
Denunciava a precariedade do reformatório(aonde as crianças capturadas ficavam).As crianças viviam apanhando, o diretor era bêbado.Disse que o Padre José Pedro poderia comprovar tais afirmações.Ela preferia seu filho no grupo Capitães da Areia do que novamente naquele reformatório.Pedia que o redator visitasse o reformatório de surpresa.A carta foi publicada no jornal sem destaque.

Carta do Padre José Pedro
Publicada sem destaque, confirmava o que a mãe havia dito.

Carta do diretor do reformatório
Publicada no jornal com destaque, afirmava que as acusações sobre ele e o reformatório eram improcedentes e caluniosas.Pedia que o redator fosse visitar o reformatório, mas de segunda-feira, apenas.Subentende-se que o “jornal” acreditou no diretor.

  Alguns meninos do Capitães da Areia dormiam em um precário trapiche: era o esconderijo do grupo.Certa vez Raimundo, que ainda era o chefe, cortou o rosto de Pedro Bala em uma discussão.Pedro para se vingar brigou com ele, ganhou a briga e a liderança do grupo.Sob a nova liderança o grupo se organiza melhor e ganha fama na cidade.
  Os meninos do Capitães da Areia eram “vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos (...) fumando pontas de cigarro, eram na verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.”A cidade os temia, a polícia os perseguia, mas mesmo assim os Capitães da Areia tinham a amizade de alguns adultos. Desce cedo os meninos do grupo possuíam relações sexuais.Só não eram homens completos por causa da idade.
  Em uma noite no trapiche Pedro chama Professor, João Grande e Sem-Pernas para planejar um assalto pois Gonzales, um gringo que sempre “negociava” com o grupo, precisava de chapéus novos e de felho.Iria participar desse roubo Pirulito e Sem-Pernas, dentre outros meninos.
  Sem-Pernas, após a reunião, se aproximou de Pirulito, que estava rezando, para tirar-lhe sarro.Conquanto parou e ficou olhando.Sentia uma espécie de inveja e desespero.Não queria mais ter que rir dos outros para se sentir bem, queria se livrar de sua angústia.
  Sem-Pernas nunca teve família, vivia pelas ruas, maltratado principalmente pelo seus defeitos físicos.Certa noite foi preso e os soldados bêbados o fizeram correr(era difícil por ser coxo), quando ele parava o chicoteavam nas costas.As cicatrizes externas saíram, contudo as internas permaneceram.Isso o atormentava até hoje.
  Seu coração era cheio de ódio.Foi retirado da rua pelo Professor.Sabia fingir como ninguém, por isso era o espião do grupo.Por tudo isso sentia desprezo e raiva de Pirulito, que através da reza conseguia ir para um mundo sem sofrimento que conheceu conversando com o Padre José Pedro.
  Boa-Vida trouxe Gato para o grupo com intenções amorosas.Gato recusou uma tentativa de relação sexual e permaneceu no grupo.Por um tempo foram inimigos, mas depois voltaram a se falar e quando Gato se cansava de alguma menina “passava” para ele.
  Gato andava pelas ruas das prostitutas quando conheceu Dalva e a desejou imediatamente.Toda noite ele ficava olhando-a, mas ela não reparava, pois tinha um amante.Dalva só reparou no menino quando seu amante a abandonou e a partir daí começaram a se relacionar.Por isso Gato nunca dormia no trapiche: sempre estava na casa de Dalva(ela ficava com ele depois de atender seus "clientes").
  Ainda na mesma noite Gato convidou Sem-Pernas para ir na rua das prostitutas.Sem-Pernas recusou e ficou observando as crianças que ali dormiam.Todas que ali estavam não tinham família, contudo possuíam uma grande liberdade."E achava que a alegria daquela liberdade era pouca para a desgraça daquela vida."
 Continuava observando.Barandão e Almiro se enamoravam na praia.Cada um deles procuravam uma forma de carinho: o Professor nos livros, Pirulito nas rezas, Gato na cama de uma prostituta.Pensou em ferir alguém, mas desistiu.
  O grupo possuía algumas regras, como não roubar as coisas de algum integrante.
  Volta Seca entrou no trapiche e pediu para o professor ler uma reportagem que tinha a foto de Lampião.Essa dizia que Lampião havia matado 8 pessoas e saqueado os cofres da prefeitura.Volta Seca se alegrou muito com a notícia, pois ele admirava muito seu padrinho.
  Na tarde seguinte Gato, Pedro e João Grande tiveram aula de capoeira com Querido-de-Deus.Eles esperavam um sujeito para fechar negócio, mas ele não apareceu.Foram para um bar e começaram a jogar baralho(com apostas).Gato estava trapaceando, mas os dois marinheiros que jogavam junto com eles não repararam e o grupo conseguiu "faturar".Os meninos ainda esperavam o homem, quando um intermediário apareceu e remarcou o encontro para madrugada.
  Os meninos, de madrugada, foram a pé se encontrar com o tal homem em uma bairro distante.Chegando lá o homem pediu que eles entrassem.No início ficou indeciso em deixar eles fazerem o “negócio”, afinal eram crianças.Eles teriam que ir a uma chácara próxima, trocar um embrulho por outro parecido que estaria ou no quarto ou com o empregado.Se estivesse com o empregado não teria jeito, pois o homem não queria que ninguém percebesse que o embrulho havia sido trocado.
  Recebendo uma parte do pagamento os meninos partirão para a missão.Chegando lá viram no 2º andar uma mulher aflita.Muito espertos, logo entenderam que no embrulho havia cartas e que ela traía o marido com o homem.O empregado havia descoberto e por isso poderia estar com o embrulho, chantageando a mulher.O embrulho estava mesmo com o empregado, mas mesmo assim Pedro, muito esperto, trocou-os sem que o empregado percebesse e fugiu, junto com os outros.
  Chegou no subúrbio da Bahia um velho carrossel, no qual já havia andado Lampião e o seu grupo quando ele estava no interior nordestino.Nhozinho contou esse acontecimento a Sem-Pernas e Volta Seca(o qual ficou excitadíssimo).Ambos iriam ajudar no serviço do carrossel(nunca aderiram uma ideia com tanto entusiasmo) enquanto esse permanecesse na cidade.
  Quando os dois chegaram ao trapiche e avisaram que iam trabalhar no carrossel todos ficaram fascinados e invejaram eles.Em uma noite, antes do carrossel abrir, todos os meninos dos Capitães da Areia foram vê-lo.Volta Seca deu corda na pianola e iniciou-se uma música de valsa antiga.Todos abriram um sorriso, se sentindo os donos da cidade, amando uns aos outros.Nhozinho França convidou-os para que viessem andar uma noite no carrossel de graça, para a alegria de todos.
  Na noite de sábado, no intervalo do trabalho, Nhozinho deixou Sem-Pernas e Volta Seca andar no carrossel.Volta Seca foi no cavalo que Lampião andou, imaginado que fosse cangaceiro, matando todos(na sua imaginação) que estavam no carrossel.Já Sem-Pernas foi calado, imaginando que naquele momento ele era igual aos outros meninos que andavam de carrossel, amado e com uma família.Era uma sensação ótima."É como se corresse sobre o mar para as estrelas na mais maravilhosa viagem do mundo.Uma viagem que o Professor nunca leu ou inventou."
  Boa-Vida foi o intermédio que Padre vieira “fez” para se tornar amigo dos Capitães da Areia.Boa-Vida não gostava de nenhum tipo de trabalho, vivia vagando pela cidade e quando fazia tempo que não “colaborava” com o grupo, roubava algo e dava a Pedro Bala.Era tão preguiçoso que andava em trapos e só arranjava outras roupas quando as que ele vestia realmente não davam mais para serem usadas.
  Certa vez entrou na em uma igreja onde o padre José estava(para roubar um objeto) e eles se conheceram.Aos poucos o padre foi se aproximando do grupo, mas só viu mudanças no Pirulito, sendo o Sem-Pernas o menino com o qual ele teve maior dificuldade de se aproximar.
   Antes de ser padre o Padre José era um operário.Entrou no seminário pois seu patrão disse ao bispo que ia pagar os estudos de “alguém que quisesse estudar para padre.”(o Padre José ouvira tal promessa e declarou ser interessado na frente do bispo, deixando o patrão “sem escolha”).
  Mas após dois anos o patrão deixou de pagar seus estudos e o Padre José teve que pagar seu seminário, trabalhando dentro dele e sendo muito discriminado pelos colegas.Sempre tirava notas baixas(nunca fora muito inteligente), o que era recompensado pelo seu grande desempenho e sua devoção por ser padre.
  Depois de se ordenar o padre ficou esperando ser enviado para uma paróquia.Enquanto isso, ele se aproxima das crianças abandonadas.Frequentava o reformatório(aonde havia muitas crianças dos Capitães da Areia), mas quando se declarou contra os castigos corporais, como deixar as crianças sem comida por dias seguidos, ele foi proibido de entrar lá e o diretor do reformatório se queixou dele com o Arcebispado.
  Apesar de tudo, o Padre José não desistiu e começou a se aproximar dos Capitães da Areia.Sabia que o que mais faltava as crianças abandonadas era o carinho.Seu jeito bondoso, de se preocupar com os necessitados acima de tudo, causou atritos com seus superiores da Igreja,  com o diretor do reformatório, com policiais(pois os Capitães da Areia eram procurados) e com as beatas que freqüentavam suas missas.
  No início pensava em oferecer aos meninos dos Capitães da Areia que morassem com as beatas que frequentavam sua missa, mas logo percebeu que isso faria os meninos perderem sua confiança, uma vez que “a liberdade era o sentimento mais arraigado nos corações dos Capitães da Areia”.O Padre tentava ajudar os meninos, mais de todos os lados encontrava barreiras.Nem por isso desistia.
  O Padre José decidiu, com a chegada do carrossel na cidade, retirar(apesar de “errado”) um dinheiro da igreja e levá-los para andar.Na tarde de domingo convidou eles, os quais não ficaram muito animados, para grande surpresa do padre.O Professor explicou que eles já haviam sido convidados pelo dono do carrossel para andar de graça, e pediu a ele que não se chateasse por negarem o convite.
  O Padre entendeu e disse que era “até melhor assim.Porque o dinheiro que eu tinha ...”.Os meninos logo perceberam que ele havia pegado o dinheiro da igreja e ficaram surpresos com isso(no bom sentido), sendo que alguns até choraram.
  Pedro, o capitão do grupo, sentiu que tinha uma “dívida” com o Padre e o convidou para ir andar com eles.O padre aceitou, afinal era uma maneira de se aproximar do grupo.Foram todos observar o carrossel, o qual estava em funcionamento.
  Margarida passa pelo local e critica o Padre José por estar andando com os ladrões do Capitães da Areia.Esse não ligou, alegando que eram apenas crianças.Os meninos do grupo só não a assaltaram pois o Padre estava ali.Anoiteceu e todas as crianças do Capitães da Areia foram andar no carrossel.Eles se esqueceram que não tinham família, nem comida, nem carinho, apenas sentiam uma felicidade extrema.
  Pedro Bala, Boa-Vida e Pirulito estavam andando no cais a espera de Querido-de-Deus, o qual estava chegando de uma viagem.Pararam um pouco no Armazém 7, estabelecimento de João de Adão, um velho estivador.
  Foi aí que João de Adão contou a Pedro Bala suas origens: Pedro era filho de Raimundo, o “Loiro”, o qual havia sido um grevista extremamente corajoso, que foi assinado por policiais quando discursava em uma greve.A mãe de Pedro Bala era rica e fugiu para se casar com Raimundo, mas morreu quando Pedro era ainda um bebê.Raimundo era companheiro de João de Adão, o qual ainda o admirava.
  Por ser filho de Loiro, João de Adão ofereceu ao garoto um lugar para morar nas docas, quando ele precisasse.Pedro ficou encantado com a história de seu pai, seus olhos brilhavam, afinal, ele era filho de um herói.Isso iniciou uma consciência política e revolucionária em Pedro Bala, além de um certo sentimento de vingar a morte do pai.
  Querido-de-Deus chegou da viagem e foi em um candomblé, junto com Boa-Vida e Pedro.Lá Ogum(Deus da religião africana) anunciava que a vingança contra os ricos chegaria.Pedro voltava para o trapiche angustiado, pensando na morte do pai e no pedido de vingança de Omulu.
  No areal avistou uma negrinha e a desejou, queria afogar a angústia que o oprimia.Depois de muito implorar(pois queria manter sua virgindade), a negrinha "cedeu".No meio do ato saiu correndo, aterrorizada.Pedro foi atrás dela e insistiu em levá-la até a sua casa.No meio do caminho, com os soluços da negrinha, não sentia mais angústia nem desejo, apenas tristeza.Quando ela já estava perto de casa, o amaldiçoou.
  Pedro se abalou com a raiva da menina e saiu correndo pelo areal.Desejava não ter conhecido a negrinha, não ter tido a conversa com o João de Adão sobre seu pai, não ter ido no candomblé.Sentia ódio dos policiais que mataram seu pai, da cidade rica do outro lado da cidade, de ser uma criança abandonada.
  Em uma noite de chuva D’Aninha visita o trapiche e pede a Pedro Bala que resgate a imagem de Ogum, a qual fora aprendida por policiais.Naquela época havia a perseguição dos praticantes da religião africana no Brasil.Pedro levou D’Aninha para sua casa, a qual foi amaldiçoando os ricos, o que aumentou a raiva de Pedro Bala.
  O Professor sempre usava um sobretudo maior que ele.Em um dia passado, no sol quente, o Professor estava na rua quando avistou um homem com um grande sobretudo e o desenhou.Mas o homem, quando viu o desenho, o chutou.
  O Professor voltava ao trapiche, sem entender o porquê daquela violência contra ele, afinal, ele havia feito uma gentileza.De repente avistou no areal o mesmo homem com o sobretudo e decidiu se vingar: cortou-lhe a mão com uma navalha e pegou o sobretudo, o qual o homem abandonou enquanto fugia desesperado.
  Futuramente, quando o Professor for um famoso pintor, em seus retratos os homens burgueses sempre estarão com grandes sobretudos que possuem mais personalidade do que eles mesmo.
  Pedro, muito astuto, em uma noite fingiu assaltar uma moça perto da delegacia onde estava o Ogum e foi preso.Lá “roubou” a imagem de Ogum sem que ninguém percebesse e quando amanheceu foi liberado, pois afirmou ao delegado que só roubou a moça porque queria uma lugar pra dormir.
  A maior conquista do Padre José para o grupo foi terminar com a pederastia(meninos mais velhos transando com meninos mais novos) e Pirulito.Pirulito era uma dos mais malvados e encrenqueiros do grupo, mas quando conheceu o amor a Deus mudou completamente.Parou de transar com as negrinhas, de brigar e só furtava quando necessário.Mas logo conheceu o “Deus-Justiça”, o “Deus-Vingança” e o desespero invadiu o seu coração(ficou confuso, amava a Deus mas o temia muito).
  Pirulito avistou em uma loja um quadro de um menino Jesus magro e nu no colo de Maria.Se apaixonou pelo quadro, mas era pecado roubar.Depois lembrou que só de pensar em cometer um pecado já era um pecado.Após muito hesitar roubou o quadro e saiu com ele agarrado no peito, sentia que agora o triste menino Jesus sorria.
  Os meninos estavam planejando assaltar um casarão onde morava um casal de idosos.Sem-Pernas então se infiltrou na casa(como já era costume), fingindo ser uma menino pobre e sem família(disse que se chamava Augusto).A senhora, chamada D. Ester, acolheu-o.Mas dessa vez foi diferente, D.Ester o tratou como o filho que perderá(esse também chamava Augusto).Nas outras casas que Sem-Pernas se infiltrou ele era maltratado e deixado de lado.
  Na hora de dormir a D. Ester beijava o menino, o que o chocava.Finalmente recebia uma carícia familiar.Sem-Pernas, extremamente indeciso entre roubar D. Ester ou continuar com ela, prolongou sua permanência no casarão.O casal o tratava muito bem, o levando para ir no cinema e para tomar sorvete.
  Mas chegou um momento em que o grupo pressionou Sem-Pernas que já demorava muito para abandonar a casa.Esse, apesar de muita dor, decidiu abandonar D. Ester e assaltá-la, afinal, se ficasse ia ser uma traição aos Capitães da Areia.Em uma manhã se despediu de D. Ester, agradecendo-a, prometendo que nunca ia esquecê-la e voltou ao trapiche.
  Naquela noite Pedro e alguns meninos invadiram a casa e roubaram algumas peças de ouro.Quando voltaram avisaram Sem-Pernas que talvez eles não reparassem que haviam sido roubados.No dia seguinte o Professor leu uma notícia para Sem-Pernas: D. Ester anunciava a perda do filho Augusto, em busca de informações.Sem-Pernas arrebentou em choros, pensando que quando descobrissem o furto o casal não ia mais gostar dele.Após isso Sem-Pernas ficou mais quieto, mais afastado do grupo, mais amargurado.
  Em uma bela manhã Pedro e o Professor foram para a “cidade alta”.Professor desenhava as pessoas que passavam na calçada com giz, e essas lhe pagavam com dinheiro(quando gostavam).Ele desenhou um elegante homem(era um poeta), o qual apreciou muito seu trabalho e lhe deu um cartão para que o Professor o procurasse.Mais tarde o Professor jogou o cartão no lixo(não acreditava em si mesmo) contra a vontade de Pedro, o qual achava que ele realmente era capaz.
  A varíola estava espalhada pela cidade.Aliás, pelos pobres, pois os ricos já estavam vacinados.Os seguidores da religião africana acreditavam que Ogum havia mandado a doença para atingir os ricos, mas Ogum não sabia da existência da vacina, então a doença acabou atingindo os pobres.Quando Ogum viu que a doença matava o seu povo, ele a suavizou, transformando a terrível “bexiga negra” em “bexiga branca”(ambas são vertentes da varíola, só que em intensidades diferentes).Havia uma lei municipal a qual previa que era obrigatório denunciar as pessoas infectadas por varíola.
  A doença afetou os Capitães da Areia, sendo o primeiro Almiro com a “bexiga branca”.Em um primeiro momento quiseram expulsá-lo, mas Pedro Bala e o Padre José chegaram e ficou decidido que o Padre arrumaria um médico para consultá-lo.Contudo o médico denunciou Almiro para a polícia, e o Padre José ficou em “maus lençóis” com os Capitães da Areia e foi chamado pelo Arcebispado.
  Um cônego repreendeu fortemente o Padre José pois já havia recebido queixas de D. Margarida, do diretor do reformatório e agora o Arcebispado havia sido procurado pela vigilância sanitária por causa dele ter escondido o caso de Almiro.O cônego o chamou de comunista e disse que sua preocupação com os Capitães da Areia era um desrespeito a Deus e a Igreja.Por fim, lhe avisou que se ele não parasse de “arranjar confusões” a Igreja tomaria medidas drásticas.
  O Padre saiu sem entender porque ajudar os pobres era uma coisa ruim.Se Jesus fazia o mesmo, porque era errado?Concluiu que seu trabalho era bom, que futuramente nem todos os meninos do Capitães da Areia seriam ladrões, com a sua ajuda eles poderiam ter uma profissão, e isso deixaria Deus feliz.
  Almiro, após a denúncia, foi levado para o Lazareto(péssimo hospital onde eram levados os pobres com varíola, ser internado lá era uma sentença de morte) e morreu.Sem-Pernas se sentiu culpado(pois num primeiro momento ele quis expulsar Almiro do grupo) e agora só conversava com o cachorro que arranjara.
  Boa-Vida foi contaminado e por decisão própria, para não contaminar seus companheiros, foi para o lazareto.O Professor tentou impedir, mas não adiantou.Um tempo depois ele voltou curado, para a surpresa de todos.Todos lhe perguntavam como era o Lazareto e Boa-Vida respondeu que era horrível, como entrar num caixão: tudo lá já estava morto.
  O Professor, admirando a atitude nobre de Boa-Vida de não contaminar o grupo, acreditava, como Querido-de-Deus afirmava, que no lugar do coração Boa-Vida tinha uma estrela.
  O surto de varíola finalmente passara, e uma das últimas a morrer foi Margarida, mãe de Dora.O pai de Dora também havia morrido pela doença e agora ela e o irmão menor, Zé Fuinha, estavam sem lugar para morar e passando fome.
  Cansada, esfomeada, com os pés queimados do asfalto e com saudade dos pais Dora ainda achou forças para tentar arranjar um emprego.Ela decidiu ir na casa de uma antiga freguesa rica de sua mãe(que lavava roupas), mas a mulher recusou seu pedido para trabalhar na casa quando Dora disse, inocentemente, que seus pais haviam morrido de varíola.E assim foi em todas as outras casas, as pessoas temiam a varíola.
  Já havia anoitecido quando o Professor e João Grande avistaram o casal de irmãos, e como sabiam o que tinha acontecido a eles, resolveram levá-los para o trapiche, assim eles teriam um lugar para passar a noite.
  Chegando lá todos os meninos avançaram para cima da Dora com o intuito de estuprá-la.João Grande e o Professor tentavam protegê-la e ela e o irmão choravam aterroriados.Pedro chegou e num primeiro momento queria também estuprá-la, mas depois mudou de ideia e como chefe do grupo ordenou que Dora não seria tocada.
  Dora e o irmão acabaram se tornando integrantes do Capitães da Areia.Ela, aos poucos, foi conquistando os meninos e se tornou a mãe deles, costurando suas roupas, dando carinho, sendo gentil e amorosa.Mas Pedro e o Professor haviam se apaixonado pela menina, a qual correspondia somente a Pedro, o via como um herói.
  Dora, apesar da resistência inicial de Pedro Bala(que no fundo gostou de sua atitude), começou a participar dos assaltos dos Capitães da Areia, pois não achava justo “comer de graça”.A menina se mostrou ágil e esperta.
  Em uma tarde Pedro sozinho brigou com um outro grupo de meninos abandonados liderado por Ezequiel por eles terem xingado Dora.Chegando no trapiche a menina cuidou dos ferimentos de Pedro e o beijou, se envergonhando depois.
  A noite surgiu com um clima romântico.Pedro e Dora deitaram no areal.Ele disse a Dora que ela era sua noiva e que um dia eles iriam se casar.Na mesma noite Pedro Bala reúne alguns dos meninos para se vingar de Ezequiel.Dora foi junto, eles lutaram e venceram, voltando para o trapiche felizes e vitoriosos.Pedro Bala e Dora voltaram para o areal, conversaram sobre coisas tolas e dormiram de mão dadas, sem terem se beijado.
    Saí uma reportagem no jornal afirmando a prisão do chefe dos Capitães da Areia.Ele e mais um grupo(incluindo uma menina) foram assaltar uma mansão.Um morador percebeu o assalto e quando entraram em uma sala os trancou.
  A polícia chegou e graças a uma manobra esperta de Pedro o grupo conseguiu fugir, restando só ele, que foi levado para a delegacia, e Dora, a qual foi levada a um orfanato.Pedro, após passagem pela delegacia, foi levado para o reformatório.Lá pessoas da imprensa junto com dois soldados da polícia e o diretor do reformatório espancaram Pedro Bala para ele denunciar o esconderijo dos Capitães da Areia.Ele não disse: era filho de um grevista, não ia dizer onde seus amigos estavam.
  De tanto apanhar desmaiou.No dia seguinte foi levado para um minúsculo quarto escuro(chamado cafua), no qual só dava para ficar sentado ou deitado de pernas encolhidas.Durante sua estadia nesse terrível lugar ele só teria direito a pouca água e feijão, que propositalmente era muito salgado e dava mais sede.Ao passar dos dias ele aprendeu a só tomar a água.Suas necessidades eram feitas no minúsculo lugar.
  Pensava.A liberdade é o bem maior do mundo.Pensava em Dora, que também estava sem liberdade.Sentia sua falta, sentia falta do seu cabelo loiro encostando em seu corpo.Queria sair dali e salvá-la do orfanato.A sede o corroía e a raiva de sua incapacidade naquele momento também.
  Um menino vai na porta da cafua e avisa Pedro que assim que sair dali os Capitães da Areia viram salvá-lo.Ele se agoniza pensando se Dora não estaria na mesma situação que ele.Perdeu a noção do tempo, delirava, estava extremamente debilitado, pensava que ia morrer.
  Depois de oito dias Pedro sai da cafua, extremamente magro e fraco.Raspam sua cabeleira loira e o colocam para trabalhar no canavial junto com os outros meninos.Pessoas violentas os vigiavam para garantir que não fugiriam.
  Os Capitães da Areia haviam deixado uma corda para Pedro no canavial.Ele a pegou e arriscadamente e levou-a para o quarto.Em uma noite a usou para fugir, sendo que o fez nu para os cães não rastrearem seu cheiro.
  No dia seguinte o Professor lê a reportagem que anunciava o fuga de Pedro e todos gargalham(era um costume dos Capitães da Areia:gargalhar), inclusive o Padre José.Os meninos resgatam Dora do orfanato(invadiram e a pegaram), a qual estava com uma febre que não cedia desde que fora capturada.
  Chegando no trapiche a febre aumentou.D’Aninha foi chamada e depois de rezar afirmou que logo a febre cederia.Os olhos de Dora estavam em paz porque ela segurava a mão de Pedro Bala, enquanto o resto do grupo estava aflito de perder a querida mãe e amiga.
  Dora pede que os meninos durmam.Eles se afastam, mas a maior parte continua acordada com medo de perdê-la.Ela avisa Pedro que se tornou mulher(havia menstruado quando estava no orfanato) e pede que ele fizesse dela sua "esposa".Ele resiste, afinal Dora estava doente, mas ela insiste e eles transam, sendo essa união uma forma de um casamento.Ela era agora sua mulher e os dois dormiram juntos, ambos em paz.
  No meio da noite Pedro acorda e nota que Dora estava gelada.Ela estava morta.Ele grita, acordando todos, e sai do trapiche para não explodir em soluços.O Professor, quando a viu morta, sentiu que não havia mais motivo para continuar nos Capitães da Areia.Pirulito trouxe o Padre José, que iniciou uma oração.
  Querido-de-Deus levou o corpo para o mar com sua saveiro.Pedro, inconformado, entra no mar e segue a embarcação até ser vencido pelo cansaço.Alguns diziam que quando pessoas corajosas morrem se tornam estrelas.Pedro começa a boiar e vê Dora indo para o céu.Não importava se os astrônomos dissessem que era apenas uma estrela cadente, para Pedro era Dora, uma menina extremamente valente e corajosa.Querido-de-Deus avistou Pedro no mar e o trouxe de volta a terra.
  O Professor, que havia mudado muito depois da morte de Dora, entrou em contato com o poeta que certa vez lhe deu um cartão e foi embora para o Rio de Janeiro pintar.Na despedida os Capitães da Areia ficaram esperançosos, com o pensamento que algum dia o Professor, através de suas pinturas, pudesse mudar a vida deles.
  Pirulito havia mudado, não roubava mais e trabalhava.Tinha uma imensa vontade de “servir” a Deus, e o Padre José conseguiu que ele entrasse para uma escola de frades.Depois de se formar começou a dar catecismo em uma igreja.Já o Padre José finalmente recebeu sua paróquia no interior nordestino, onde os cangaceiros atuavam.O Padre ficou extremamente feliz por poder ajudar os cangaceiros, que não passavam de “crianças grandes”.
  Boa-Vida se tornou um verdadeiro malandro, cantando samba durante as noites, enrolando moças, roubando quando necessário.
  Mais uma vez Sem-Pernas se infiltrou em uma casa para depois os Capitães da Areia poderem assaltar.Dessa vez a casa era de uma senhora solteira chamada Joana, a qual deixou ele ficar por desejo sexual, e não por dó.
  Nas noites ela ia procurar Sem-Pernas em seu colchão, mas não permitia a penetração pois tinha medo de ficar grávida, já que era solteira.O sexo incompleto enfurecia Sem-Pernas, que a tratava mal.Só permanecia na casa porque também tinha desejos sexuais, uma vez que não era “sortudo” no amor devido a sua perna manca.
  Sem-Pernas fugiu e logo os Capitães da Areia a assaltaram.No início ela se abalou pois não tinha mais o “amor” de Sem-Pernas, contudo quando descobriu o assalto se enfureceu.O “amor incompleto” de Joana provocou um profundo ódio em Sem-Pernas, um ódio que o impedia de dormir.
  Anos atrás, durante a alta do cacau, muitas prostitutas deixaram a Bahia e foram para Ilhéus “servir” os coronéis enriquecidos.Uma amiga de Dalva disse que lá conseguiu jóias e ela partiu para Ilhéus junto com Gato, que se tornou gigolô e jogador.
  Volta-Seca foi flagrado roubando e foi preso e espancando.Depois de liberto partiu de trem para Aracaju com o objetivo de encontrar outro grupo de meninos abandonados.Não se despediu dos Capitães da Areia pois planejava voltar.Conquanto, no meio da viagem ele encontrou o grupo do Lampião.O padrinho reconheceu seu afilhado e Volta-Seca se tornou um cangaceiro.
  Em um assalto arriscado Sem-Pernas foi perseguido por soldados e se jogou de um penhasco quando viu que iria ser pego.Preferiu morrer do que passar novamente por humilhações e constrangimentos.
 O Professor saiu no “Jornal da Tarde”, era uma famoso pintor de obras com conteúdo social.Analistas repararam que em suas obras “alegres” sempre havia uma menina loira de “bochechas febris”(Dora) e nas obras “tristes” sempre havia um homem com um grande sobretudo.Gato também apareceu no jornal, era um vigarista que vendia terras fictícias em Ilhéus.Volta-Seca foi manchete por ser um jovem menino muito violento no grupo de Lampião.
  Futuramente Volta-Seca será preso e julgado(o que também será manchete no jornal).Um especialista renomado afirmara que ele é normal, sua violência é fruto do ambiente onde ele cresceu e viveu.Contudo ninguém se interessa tanto pela matéria do especialista renomado, preferindo a apelação do promotor que afirmou que as vítimas de Volta-Seca sofreram muito.Mais uma crítica do autor a sociedade hipócrita.
  Pedro Bala se contagia com  uma greve dos bondes que acontecia na Bahia, aceita o pedido de João-de-Adão e Alberto de dispersar os “fura-greve”(pessoas pagas para irem trabalhar como se nada estivesse acontecendo) e o faz com sucesso(ele e os Capitães da Areia).
  A voz da greve  chamava Pedro Bala como a voz de Deus chamava Pirulito.Ser grevista estava no sangue de Pedro, seu destino era ajudar o povo sofrido, lutar pela liberdade.Pedro ingressou em uma organização grevista e os Capitães da Areia passaram a ser uma brigada de choque.
  Pedro foi convocado para organizar um grupo de crianças abandonadas em Aracaju, enquanto Almiro ajudaria os Capitães da Areia.Foi ao trapiche se despedir, deixando Barandão como o novo chefe.Os meninos gritavam enquanto ele partia.
  Anos depois, nos pequenos jornais que circulavam nas fábricas, havia sempre notícias de um militante, Pedro Bala, que era procurado em cinco estados por organizar greves e dirigir partidos ilegais.Certa vez foi preso.Quando conseguiu fugir os jornais anunciaram seu ato.Ao saber da notícia o rosto das pessoas(pobres) se iluminaram: “a revolução é uma pátria e uma família”.

Texto de Graziella Toffolo Luiz

Fonte:
- Capitães da Areia(1937) - Jorge Amado
- Anglo Vestibulares - Português - Literatura Fuvest/Unicamp 2012   

sexta-feira, 27 de julho de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Resumo do livro "O Cortiço"


Pessoal, não sei o que está acontecendo, mas o plano de fundo está ficando diferente do que eu escolhi.Já tentei fazer de tudo e não deu certo.Então deixo aí o resumo para vocês, e desculpe pelo plano de fundo :/                               

                               O Cortiço(1890) - Aluísio Azevedo                    



Autor 

  Aluísio Azevedo nasceu em Maranhão, no século XIX, quando o estado era um grande produtor de algodão.Dedicou-se a pintura, pois era o que realmente gostava de fazer.
  Fazia caricaturas em jornais e revistas satíricas, exercia crônicas opinativas e junto com outros autores mobilizou campanhas em favor da Abolição e da Proclamação da República.
  Suas obras denunciavam os vícios da vida pública(nepotismo) e o abuso de poder e a corrupção, reivindicando mudanças na vida política e social.
  Por não conseguir se sustentar com a pintura, abandonou-a.Seu primeiro romance foi “Uma Lágrima De Mulher”(1879).Seu livro, ”O Mulato” (1881), gerou um escândalo(possuía uma forte crítica).
  Aluísio continuou escrevendo para a imprensa, mas usando pseudônimos.Escreveu várias comédias, operetas e revistas teatrais ao mesmo tempo em que seguiu publicando seus contos e romances.Foi o primeiro escritor brasileiro a tentar viver da profissão.
  Seus romances sofreram influência de Emile Zola e Eça de Queiros.Neles ele denunciou a promiscuidade, miséria, fome, exploração e prostituição.
  Enfrentou enormes dificuldades de sobrevivência e, desgostoso com tanta instabilidade profissional, entrou para a carreira diplomática.


Características e observações

*Aluísio adotou as técnicas de observação e experimentação proposta por Emile Zola no livro "O Cortiço"

*Há o contraste entre a animalização instintiva do "Cortiço-povo" com a hipocrisia e futilidade do "sobrado-burguesia"

*Focaliza as relações entre o português(explorador do Brasil) obcecado pelo enriquecimento e o brasileiro, apresentado como povo fácil de ser explorado.

*Tema: ambição e exploração do homem pelo próprio homem

* O cortiço se iniciou com 3 casas e terminou 95

*Crítica ao capitalismo selvagem

*Apelido do cortiço : “Carapicu”, peixe que Bertoleza fritava no armazém

*O protagonista é o próprio Cortiço

* A bebida de Rita que “enfeitiçou” Jerônimo foi o CAFÉ

*Denúncia da vida nos cortiços, de uma organização econômica fraudulenta e desigual

*Obra realista-naturalista

*Determinismo cientificista: o meio pré-determina o indivíduo

*Narrador onisciente e observador, capta tudo, está dentro e fora de cada personagem

*No cortiço ocorre a miséria de todos para a fortuna de um só. O habitante torna-se preguiçoso e vencido, anulando-se os sonhos de ambição(como ocorre com Jerônimo)

*Zoomorfismo ou animalização: o homem agindo como um animal

*Darwinismo social (metamorfoses que passam as personagens atendendo à diversas leis)

*Técnica impressionista: mostra a impressão do narrador

*Técnica expressionista: é a distorção grotesca da realidade(tende ao doentio e mórbido)

*Sexualidade ostensiva

*Cromatismo

*Sinestesia: aflora dois sentidos ou mais.Exemplo: Estou sentindo o cheiro morno e doce do café.

*Aliterações(repetição de consoantes)

*Assonância(repetição de vogais)

*Uso de onomatopéias, metáforas e anacolutos

*Uso da linguagem culta para o narrador e da popular para as falas dos personagens


Tempo e espaço

  Ocorre junto com a vinda de italianos para o Brasil. O cortiço situa-se num bairro, perto de um morro onde há uma pedreira.
  As mulheres trabalhavam juntas lavando roupas, os homens na pedreira ou nas pequenas fabricas dos 
arredores.As festas sempre são as mesmas e as desgraças também.


Personagens: caracterizam estereótipos sociais.

João Romão: imigrante português, inescrupuloso, avaro, ambicioso, esperto,astuto, batalhador, era respeitado.O homem que deu inicio ao cortiço.Explorava os trabalhadores de modo brutal, aproveitava-se da ignorância de Bertoleza e construiu, com material roubado da vizinhança, o cortiço. A falta de escrúpulos e a gana pelo dinheiro tornou-se senhor dos “escravos” (trabalhadores do cortiço), patrão comerciante, especulador imobiliário, agiota, capitalista e “genro” de Miranda(através do casamento com sua filha tinha acesso ao capital dele). Sua trajetória de ascensão social se dá simultaneamente a uma degradação moral e ética.João Romão representava o modelo capitalista.

Bertoleza(viúva): “amigada” de João, era crioula e batalhadora.Era uma escrava fugitiva, apesar de não saber(pensava que era livre ). Era maltratada pelo companheiro. A prosperidade de João dá-se á custa de seu esmagamento.

Miranda: comerciante(possuía uma loja de tecidos), português que no livro representa a alta burguesia aristocratizada. A posse de sobrado(vendido por Jão Romão) representava seu sucesso alcançado.Era “ mau caráter” e cínico.Flagrou sua esposa com outro e não tomou nenhuma atitude, pois se eles se separassem Miranda perderia o dote dela.Procurava-a as vezes apenas para transar, sem afeto.

Estela: esposa Miranda, sua relação com ele é fruto de interesses.Simboliza as mulheres burgueses que não possuíam liberdade e eram entediadas.Logo, em fuga do tédio, levava uma vida fútil e mundana.

Henrique: morava com a família de Miranda, muito querido por Estela.Era estudioso, afeminado e mimado.Filho de um fazendeiro que fazia grandes compras na loja de Miranda, veio do interior para ingressar no curso de medicina. Era rico e suas “delicadezas de menina “ o tornou alvo de investimentos sexuais de D. Estela e do velho Botelho.Durante o livro seduz a fútil Leocádia.

Valentim: empregado da loja de Miranda.

Isaura: criada da família de Miranda, virgem, tola.

Leonar: negra, virgem, ligeira (‘lisa”).Criada da família de Miranda.

Botelho: velho que vivia no sobrado de Miranda, antipático, cabelos brancos, invejoso e rancoroso, avarento.Era um parasita, tentava obter vantagens materiais.Tinha a confiança de Miranda, e mais tarde, a de Jão Romão, não hesitando em chantageá-lo para promover o contato com Zulmirinha.

Leandra: representava a portuguesa feroz, berradora, sempre disposta á briga.Era conhecida como “Machona”.

Ana das Dores: filha de Leandra, separada do marido, morava em uma casa separada da mãe.

Neném: filha de Leandra, adolescente, virgem “com orgulho”.

Agostinho: filho de Leandra, levado, gritava muito.

Augusta Carne-mole: lavadeira, brasileira, branca, esposa de Alexandre.

Alexandre: mulato, 40 anos, soldado da policia, honesto, “levava a sério” seu trabalho.

Juju: filha de Alexandre e Augusta, morava com Leónie, sua madrinha.

Leónie: prostituta de elite.O autor descreve com detalhes a vida dessas mulheres que construíam fortunas á custa de satisfazer a luxúria de políticos, comerciantes e estudantes.

Bruno/Leocádia: representam o estereótipo dos moradores do Cortiço (ele, ferreiro/ela, lavadeira).

Paula, a Bruxa: cabocla velha, mística, feia, grossa.Sabia preparar feitiços e remédios e chás a base de plantas.É descrita em vários momentos como um animal.

Marciana: lavadeira, mulata antiga, ”descontava” sua raiva limpando a casa.Mãe de Florinda.

Domingos: era caixeiro na venda João Romão.Engravidou Florinda.

Florinda: lavadeira, adolescente inicialmente virgem, morena, lábios sensuais, dentes bonitos.Desejada por João Romão, engravida de Domingos.

Dona Isabel: lavadeira, portuguesa, senhora devota, viúva.Depois da morte do marido empobreceu e veio morar no Cortiço.Era infeliz.

Pombinha: “flor do cortiço”, filha de D. Isabel , loura, pálida, doente.Era querida por todos, sendo enfermeira e redatora/leitora de cartas.Sua mãe a poupa dos serviços domésticos, o que contrasta complemente com a realidade do cortiço.

João da Costa: noivo de Pombinha, tinha futuro na vida.Esperava o casamento pois sua noiva ainda não havia menstruado.

Albino: lavadeiro, afeminado, fraco e pobre. Vivia sempre entre as lavadeiras, que o tratavam como mulher.Adorava os bailes de carnavais.

Manuel: trabalhava na venda de João Romão.

Rita Baiana/Firmo: representam o casal brasileiro.Rita era uma lavadeira sensual, metaforizada como uma perigosa serpente, lasciva, transforma Jerônimo num homem degenerado.Usava sua sexualidade para subir na vida. Firmo, rejeitado por Rita, é representado como capoeirista valente, brigador e trapaceiro (malandro).O casal e Jerônimo(em relação as músicas que gostavam e tocavam) revelam a pesquisa feita por Aluísio sobre as músicas brasileiras da época.

Jerônimo: português, inicialmente honesto, trabalhador e no início tinha o objetivo de formar um pequeno crescer na vida do comércio.Esses valores dissipam-se e ele se “abrasileira”, sendo um dos principais fatores Rita Baiana.

Piedade: portuguesa, trabalhadora, esposa de Jerônimo.Após ter sido abandonada pelo marido se entrega para o alcoolismo, antes brigando com Rita.

Senhorinha: Marianita(nome original), filha de Jerônimo e Piedade, inicialmente estudava em um internato.

Libório: velho, avaro, mendigava nas ruas (mas não era pobre).João Romão descobriu suas garrafas cheias de dinheiro e a rouba, durante o incêndio, utilizando o dinheiro para construir os sobradinhos da gloriosa Avenida São Romão.

Pataca: amigo de Jerônimo o qual ajudou-o a se vingar de Firmo.

Zé Carlos: amigo de Jerônimo que o ajudou a se vingar de Firmo.


Síntese
  João Romão era empregado de um vendeiro português.Tal vendeiro enriqueceu e voltou para Portugal, deixando a venda para João com forma de pagamento de salários atrasados.João Romão possuía uma enorme ganância. Ele se “amigou” com Bertoleza e forjou sua carta de alforria, para ela acreditar que estava livre e ir morar com ele, se apoderando também de suas economias.O casal trabalhava arduamente.
  Assim o português foi acumulando capital e construindo aos poucos a Estalagem São Romão, não hesitando em roubar materiais de obras próximas.
  Logo as casas foram ocupadas pelas lavadeiras, proporcionando um rendimento que juntado com as vendas do seu armazém permitiu adquirir e explorar uma pedreira situada no fundo do cortiço.Assim, João Romão enriqueceu.
  Ainda no início da estalagem chegou ao sobrado a família de Miranda, rica, em profundo contraste com as futuras famílias do cortiço.A família se mudou porque Estela mantinha relacionamentos com os funcionários da loja de tecidos de Miranda, em uma tentativa de evitar escândalos.Miranda se irritava com a situação, mas não se separava da esposa devido ao seu dote, que foi o motivo de seu enriquecimento.
  João queria comprar parte de seu terreno (para ampliar sua casa) mas Miranda não aceitava vendê-la e se irritava por ter um cortiço como vizinho.Na verdade, o que sentia era inveja por não ter tido ele a ideia do negócio.
  Florinda engravidou de Domingos, sendo ela uma bela morena.Sua mãe, Marciana, ficou furiosa, castigando a filha e indo tirar satisfação com João Romão, o qual aproveitou da situação para despedir Domingos, que não assumiu o filho.Florinda cansou de ser castigada pela mãe e fugiu, indo morar com um velho chamado Bento(e abortou o feto).Marciana, desgostosa com a situação, foi para um hospício.
  Pombinha era a “flor” do cortiço, adorada por todos.Esperava menstruar para se casar com João Da Costa.
  Leocádia traiu Bruno com Henrique em troca de um mero coelho e foi expulsa pelo marido. Leocádia desdenha da situação, achando que sobreviveria como ama-de-leite(não aceitando a proposta do marido para voltar a morar com ele).Um tempo depois, arruinada, acaba voltando a morar com o marido, que a perdoou(ressaltando que a iniciativa de reconciliação partiu de Bruno, que escreveu uma carta, através de Pombinha).
  O cortiço havia se tornado um lugar disputadíssimo para se morar, uma vez que ficava perto da pedreira.Jerônimo e a família chegaram ao cortiço e ele foi trabalhar na pedreira.Jerônimo era um ótimo pedreiro e João concordou em lhe pagar um alto salário, acreditando que boa parte dele retornaria ao seu bolso, pois seu lucro aumentaria.Jerônimo queria enriquecer e voltar com a família para Portugal, sentia falta de sua pátria.
  Rita Baiana era uma brasileira sensual que vivia se metendo com homens.Alegre, costumava dar festas em sua casa.Em uma dessas Jerônimo se encantou pela baiana, despertando o ciúmes em Firmo, seu namorado.
  Quando Jerônimo veio para o cortiço começou a se abrasileirar, deixou de tocar guitarra e as canções portuguesas e passou a se divertir com o chorado brasileiro, nas festas de Rita Baiana.Não sentia mais saudades de seu país.
  Firmo brigou com Jerônimo, ferindo-o com golpes de navalha, devido ao ciúmes que tinha de Rita Baiana.Jerônimo é levado ao hospital e Firmo foge para a “Cabeça-de-gato”, um cortiço próximo, se tornando líder de lá.João Romão não gostou da briga, uma vez que não queria saber de polícia dentro do cortiço.
  Jerônimo voltou do hospital e Rita Baiana sempre ia visitá-lo cheia de “dedicação”.Piedade percebe o interesse do marido pela baiana e se vê rejeitada por ele, que declara não suportar seu “cheiro azedo”.
  Jerônimo se recupera e junto com Pataca e Zé Carlos atrai Firmo para uma praia deserta e o assassina.Piedade e Rita Baiana trocam xingamentos em uma disputa por Jerônimo.Por fim, Jerônimo adere complemente ao modo de vida brasileiro, num processo crescente e degradação física e moral.
  Miranda iria ganhar o título de Barão de Freixal, o que despertou ciúmes em João Romão, o qual foi convidado para a festa em que ele iria receber tal título.Para não “ficar para trás” planejou se tornar visconde, assistindo aos jornais, indo aos teatros, comprando roupas elegantes, abandonando seu modo de vida antigo.O ganancioso português também se aproxima de Botelho, que, em troca de dinheiro, auxilia sua aproximação com Zulmirinha.João precisava casar-se com ela para completar sua ascensão social.
  Com a morte de Firmo, os moradores do “Cabeça de Gato” revoltaram-se e decidiram atacar os “Carapicus”.Arma-se um pandemônio e a policia resolve intervir.O portão foi aberto pela polícia e todos os moradores esqueceram da briga e se juntaram para impedir a entrada da dela, montando barreiras e jogando objetos nela, em resistência.
  Aproveitando-se da confusão, Paula em sua segunda tentativa, finalmente conseguiu por fogo no cortiço.No meio do incêndio João reparou que Libório voltou a sua casa.Achando estranho, seguiu-o e o encontrou-o caído  no chão(certamente mal pela fumaça) com garrafas cheias de dinheiro ao seu lado.Sem hesitar, roubou-as, sem ajudá-lo.
  Com o incêndio os inimigos esqueceram a briga e se solidarizaram, tentando apagar o fogo, que depois de um tempo cedeu.Foram destruídas 30 e tantas casinhas e morreram,dentro outros, Paula, Juju e Libório.A batalha entre os dois cortiços, interrompida pelo incêndio é considerada uma das mais fortes cenas de movimentação coletiva da Literatura Brasileira.
  Foi um dia antes do incêndio que Jerônimo abandonou Piedade para se alojar com Rita.Piedade, muito abalada, entra em depressão e começa a beber.Senhorinha passou a viver com a mãe já que Jerônimo não pagava mais as mensalidades de seu colégio interno.Elas foram visitá-lo, em uma tentativa de ao menos ele pagar o colégio, sem sucesso, pois ela as expulsou.
  Jerônimo sentia por ter chateado e abandonado sua família, mas a sua vontade de ficar com Rita era maior.Em uma noite Senhorinha, desconsolada, vê a mãe muito bêbada se entregar a Pataca.
  Pombinha tinha uma boa educação, conquanto se corrompeu entrando em contato com Leónie e mantendo relações lesbianas com ela.Um tempo depois dessas relações, menstrua e casa-se.A moça traía seu marido, achava-o medíocre.O casal se separa e João da Costa logo morre(de pneumonite).
  Pombinha vai viver com Leónie e torna-se prostituta.Ela se torna mais um exemplo da lei social-animal, onde o meio pré-determina o indivíduo.Dona Isabel, um tempo depois, vai morar com as duas.Porém, não se conformava com as atitudes da filha.Logo, morreu de desgosto.
  Uma certa fortuna foi acumulada por Pombinha(através da prostituição), que a utilizou para a educação de Senhorinha, a qual foi morar com elas (pai a abandonou, mãe alcoólatra e depressiva).Pombinha estava fazendo o mesmo que Leónie fez com ela, ”a cadeia continuava e continuaria interminavelmente: o cortiço estava preparando uma nova prostituta naquela pobre menina desamparada.”Apesar de tudo Pombinha ainda era adorada no cortiço.
  Tempos depois o cortiço passou por sérias transformações.João Romão, com o dinheiro de suas economias, do roubo de Libório e das indenizações do incêndio decidiu construir a “Avenida São Romão”, feita com sobrados equipados com sanitários, destinando a um novo público(funcionários púbicos e pequenos comerciantes).
  O “velho cortiço” estava decaindo, não havia mais as festas de Rita Baiana.João finalmente se decidiu com Miranda sobre seu casamento com Zulmira.Só faltava se livrar de Bertoleza antes que a notícia do casamento se espalhasse.Ele, tomado por sua ganância sem escrúpulos, pensou até em matá-la, só não o fez por não saber como assasiná-la sem deixar vestígios.Bertoleza percebeu o que acontecia: ”Quer casar, espere então que eu feche primeiro os olhos.Não seja ingrato”.
  Agostinho morreu, caiu da pedreira quando estava brincando.Leandra Machona ficou arrasada. Florinda voltou ao cortiço e sua mãe, Marciana, morreu no hospício.Piedade vivia sendo abusada, causava nojo e não tinha onde morar.
  São Romão se distanciava cada vez mais de seu passado(cortiço), não sendo mais permitido as rodas de samba.O “Cabeça-de-gato”, no entanto, se tornava um verdadeiro cortiço, sempre havendo uma festa e um “rolo”(briga).
  João Romão construiu um sobrado maior do que o de Miranda.Ele e Botelho fizeram um plano para se livrar de Bertoleza: denunciam ela à polícia como uma escrava foragida.Quando Bertoleza avista chegando na cozinha os policias com seu dono ela percebe que sua carta de alforria foi falsificada e que seria presa.Em um ato de desespero se suicida, rasgando seu ventre com a mesma faca que usava para limpar peixes.
  Ironicamente, enquanto nos fundos da casa ocorre a tragédia, João Romão recebe na sala uma comissão de abolicionistas que lhe entregam, cerimoniosamente, o diploma de sócio benemérito por sua participação na campanha em favor da libertação dos escravos(ele havia “libertado” e “ajudado” Bertoleza falsificando sua carta de alforria).

Texto de Graziella Toffolo Luiz

Fonte:
-O Cortiço(1890), Aluísio Azevedo
-Anglo Vestibulares - Português/Literatura, Fuvest/Unicamp 2012


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Resumo de "Til"


Esse é o livro mais legal da lista Fuvest/Unicamp 2014, repleto de suspense, aconselho ler! :)

                                         TIL (1872), JOSÉ DE ALENCAR


AUTOR E OBRA

  Escrita por José de Alencar (1829-1877), pertence à fase regionalista do autor e ao romantismo.O autor procura mostrar a vida do caipira do interior de São Paulo de século XIX, vocabulário, costumes da região e as diferenças sociais da época (escravos, capangas, pobres e ricos donos de terras).

CARACTERÍSTICAS E OBSERVAÇÕES

*Caráter crítico e social

*Supervalorização do interior do país e da vida bucólica

*Os personagens são planos (mantêm suas características),excetuando Jão,que sofre mudanças de comportamento,sendo a maior delas no final do romance

*Aborda a inocência,o amor,a fragilidade,a idealização da natureza e a subjetividade

*Suspense,principalmente aos finais do capítulos

*Psicologia popular da época: “Todo paulista é teimoso”

*O romance é se passa em Campinas,interior de SP,mais especificamente nos arredores de Santa Bárbara

*Mostra-se o ambiente dos escravos e senzalas e seus conflitos (disputa entre Rosa e Florência)

*O romance segue o clima do Folhetim em que os capítulos são escritos e terminam num momento de clímax

*Berta sacrifica-se para todos vivam sem paz e felizes.“Como as flores que nascem nos despenhadeiros e algares,onde não penetram os esplendores da natureza,a alma de Berta fora criada para perfumar os abismos da miséria ,que se cavam nas almas,subvertidas pela desgraça”

*No livro ,Berta é sempre comparada a Flor.No capítulo inicial surge uma imagem de flor bela,mas imatura:
  “Eram dois,ele e ela,ambos na flor da beleza e mocidade”.
  Já no fim do livro ( no poente do sol) a imagem da flor se repete mostrando a “Flor Interior” cheia de caridade e abnegação (sacrifício voluntário).
  “Era a flor da caridade,alma sóror(tratamento dado as freiras).”
  O autor cria assim uma idéia nítida de desabrochar.

PERSONAGENS

Berta: alegre,moleca,corajosa,curiosa e acima de tudo,era uma pessoas boa. Era graciosa (com movimentos espontâneos e encantadores) e atraia para si o amor e carinho de todos.Era caridosa e durante o livro se das criaturas mais repulsivas e desprezadas da região.É a personagem central do livro.Adotada por Nhá Tudinha (mãe de Miguel), morava junto com eles.Por Brás era chamada de Til

Miguel:  filho de Nhá Tudinha,era um adolescente ágil que adorava caçar.Era pobre e aceitava isso como um fator natural.Se mostra desde o princípio apaixonado por Berta e possuía ciúmes dela com Afonso

João Fera (ou Bugre): alto,forte,capanga (matava por dinheiro).Era um Bugre,um índio,que quando pequeno foi criado pelo pai de Galvão. A vida o tornou um homem rancoroso e vingativo(foi cheia de sofrimento e desilusões).Era apaixonado por Besita, porém apesar de seu desejo a tinha como “santa” e queria apenas sua felicidade (pois sabia que Besita não o amaria como ele a amava)

Luís Galvão : dono da fazenda de Palmas,era um grande empreendedor.Na juventude foi homem de muitas aventuras amorosas e enrascadas (numa dessas desonrou Besita)

D. Ermelinda: esposa de Luis Galvão, era elegante e educada, mas não muita bela

Linda: filha de Luis Galvão e D. Ermelinda, educada aos moldes da corte.Era apaixonada por Miguel e muito amiga de Berta

Alfonso: irmão de Linda,era parecido com Luís e gostava de Berta (sem saber que essa era sua irmã de sangue)

Brás: morava com a família Galvão e na casa grande sua presença era desprezada.Sofria de ataques epiléticos e era retardado mental.Era muito arteiro e a única pessoa que gostava era Til(Berta), que nunca o destratava

Rosa: negra que trabalhava na casa grande.Gostava do Amâncio,e o disputava com Florência

Zana: escrava de Besita,ficou louca depois de seu brutal assassinato (o presenciou)

Barroso (ou Ribeiro): marido de Besita,a assassinou (por ela tê-lo traído).Possuía uma índole ruim e era vingativo.Seu nome verdadeiro era Ribeiro,mas quando voltou para Santa Bárbara para completar sua vingança (matar Berta e Luís), assumiu o nome de Barroso.

Nhá Tudinha: mãe de Miguel e mãe adotiva de Berta.Era trabalhadora e amava Berta

Chico Tinguá: dono de uma venda, era amigo de João Fera e o ajudava

Gonçalo: era o 2° capanga da região.Possuía imensa raiva e inveja de Jão Fera e queria sua morte.Também conhecido por “Pinta”, mas não gostava desse apelido

Felipino: “líder” de um grupo de caipiras, queria matar Jão Fera em troca de dinheiro

Faustino: pajem de Luís, estava envolvido junto com Barroso e outros para assassinar Luís Galvão

Besita: mãe de Berta, foi assassinada por Ribeiro.Era a moça mais bonita da região.Gostava de Luís, mas não se casou por ele tê-la recusado, já que ela era pobre.Então casou-se com Ribeiro, que futuramente a assassinou.

SÍNTESE

PRIMEIRO VOLUME
  Berta e Miguel caminhavam por uma mata quando avistaram Jão Fera.Miguel aponta uma arma a ele, mas Berta intervém e Jão vai embora.Continuaram seu caminho a fazenda de Palmas, apesar da resistência de Miguel, que não queria ir porque não queria ver Afonso “com gracinhas” para Berta.
  Na fazenda Jão observa a conversa de Barroso com um escravo um capanga, que combinavam o assassinato de Luís Galvão.
  Após isso, Jão observa Berta brincar e isso acende uma “chama” dentro dele.A menina trazia fortes lembranças de alguém muito importante para Jão.Ele vai para seu esconderijo, chamado “Ave-Maria”, o qual era um lugar fazenda de Palmas que apresentava um grande desfiladeiro, um lugar assustador.
  De lá o capanga avista Barroso chegando.Ele desce na estrada e pergunta o motivo dele querer matar Luís Galvão.Barroso responde que foi devido a uma discussão.Jão deixa claro que só mataria Luís porque já havia gastado o dinheiro que Barroso lhe deu(eles haviam fieot um trato), pois se soubesse antes que o “alvo” era Luís Galvão, não aceitaria o “trabalho”.
  Luís ia viajar para Campinas e sua mulher estava preocupada com isso, principalmente pelo surgimento de Jão nos arredores da fazenda.Luís partiu, mas logo voltou pois esqueceu um papel que escondia seu segredo(no final do livro é revelado que o tal papel é um testamento).Assim que o achou seguiu viagem.
  Afonso e Linda foram brincar com Miguel e Berta.Linda comentou da preocupação da sua mãe com seu pai e Berta se atordoou. Silenciosamente adentrou a mata a procura de Jão Fera.
  Logo achou Jão, que estava pronto para atacar Luís que no momento passava. Berta o segurou, impedindo o pior. Daí se trava uma longa discussão. A menina, com raiva, passou a acreditar nas terríveis historias que contavam dele.O capanga, se sentindo mal , explicou que tinha que matá-lo pois já havia gastado o dinheiro que recebeu para tal. Berta, então, deu-lhe seu relicário(cordão de ouro) para que o assassino paga-se sua “divida” e não precisasse matar Luís, fazendo-o prometer que não iria machucar Luís.
  Berta achou uma galinha sem pernas(foi roída por ratos) e um burro machucado e cuidou deles com muito amor.Foi visitar Zana, que vivia em uma casa abandonada.Observando a louca, a menina percebeu que todos os dias ele repetia as mesmas coisas ,que algo muito ruim aconteceu naquelas ruínas.”Assim como dizem que a pupila conserva a imagem da ultima visão, não sucederá o mesmo com o espírito, e não ficara nele gravado, como em estereótipo, o quadro que iluminaram os últimos clarões da razão extinta?”(tal trecho se refere a Zana e seus movimentos diários e repetitivos).
  Na venda de seu Chico entrou Gonçalo e um grupo de caipiras que queriam assassinar Jão Bugre por ele matado um fazendeiro. Aguiar,o filho do fazendeiro,oferecia uma recompensa pra quem o matasse.  Gonçalo saiu da venda com Filipino, disse que contava onde era o esconderijo de Jão em troca de dinheiro.Filipino aceita o trato.
  Chega a venda Barroso, reclamando que Jão não atava nem desatava um negocio (“a morte de Luís Galvão”). “ Pinta”, que possuía inveja do assassino, falou que Jão não cumpria com a sua palavra e afirmou que ele mesmo poderia fazer “serviço” para Barroso.
  Berta continuou a visitar Jana, e em uma dessas Barroso estava nas ruínas.Ele apenas observou Zana com raiva, a qual ficou completamente atordoada.Berta assistiu ao episódio, ficando um pouco assustada.
  Logo após surge Brás e tenta estrangular Zana .Berta interfere e Brás desiste, passando mal. Apesar da raiva, Berta ajuda-o , levando-o para sua própria casa.
  Após almoçarem, os dois saem .Ainda nos arredores da fazenda ,Berta faz Brás rezar. O livro retrata a calma de Brás quando está perto da menina.Depois, com muita bondade e paciência, a menina o ensina o abecedário.
  Quando Brás chegou no casarão, Luís o colocou em uma escola.Ele possuía dificuldades em aprender e seu professor o castigava.A única coisa que Brás identificava em textos era o acendo til (~).
  Em umas tarde Berta encontrou Brás na mata, que havia fugido da escola.Então ela começou a entender que quando Brás a chamava de Til.Brás era um espírito obscuro, agia como um animal .Contudo, com um toque de Berta , seu espírito acalmava.
  Jão sai de seu esconderijo e vê Luís na estrada.Tem a chance de matá-lo, mas não o faz devido a promessa que fez a Berta.Na venda de Chico Jão encontra Barroso, que o cobra pelo “serviço”.Eles brigam e o capanga deixa claro que só não o mata porque estava devendo para ele.
  Dias se passa e Jão não sabia mais como arranjar o dinheiro .Voltando a venda, Chico o avisa que Aguiar queria sua morte.Jão manda Chico ir a fazenda de Aguiar e fazer um trato : Aguiar o dava 50 mil réis e Jão dava sua palavra que um dia iria em sua fazenda se entregar. Chico vai e Aguiar aceita.
  Jão vai a casa de Nhá Tudinha e escondido e Berta vem falar com ele, o qual conta que cumprirá sua promessa (de não matar Luís Galvão), já que ele havia conseguindo o dinheiro. Berta fica contente e atende o seu pedido ,o deixando beijar seu cordão(onde havia uma santinha).Jão sai trêmulo.
  Era véspera de São João e a fazenda de Palmas estava sendo enfeitada.Linda, chateada, comenta com Berta que Miguel não gostava dela e sim de Berta, a qual sabia que era verdade.Nesse momento ouviu um barulho.
  Esse barulho era um apito(barulho de um pássaro) combinado entre Barroso, Monjolo e Faustino para se encontrarem.Eles confirmam o plano de matar Luís Galvão: a noite eles iriam colocar fogo no canavial e quando Luís fosse ver o que estava acontecendo eles o matariam.Brás ouviu a conversa.
  Na mata Brás pega uma cascavel e depois a joga na cama de Linda, pois sentia raiva da família e queria se vingar.
  No terreiro, Pai quicé comenta com Berta que João Bugre seria preso, iriam pegá-lo em seu esconderijo.Berta pede que a leve até lá e Pai quicé aceita ajudá-la.Berta entra na casa grande e vai pegar o seu chapéu, que estava em cima da cama de Linda.

SEGUNDO VOLUME
  Era 1826(20 anos atrás), Jão e Luís eram camaradas e tinham 20 anos.Luís sempre entrava em brigas e Jão sempre o protegia, chegando a salvar sua vida várias vezes.
  Jão, quando muito pequeno, apareceu na fazenda de Palmas e foi adotado por Afonso Galvão, pai de Luís.Alguns diziam que ele era de uma tribo indígena, daí o nome João Bugre.
  Besita era a moça mais bonita de Santa Bárbara, desejada por muitos.Jão era apaixonado por Besita, uma paixão que afrontava o impossível.Luís, depois de um tempo, também passou a gostar da moça, o que abalou Jão, o qual começou a se embebedar e arranjar brigas.
  Um tempo depois Jão se recompôs e aceitou a paixão do amigo.Luís e Besita já saiam a algum tempo.Luís não pretendia casar com a moça, pois ela era de origem humilde, contudo Besita realmente gostava dele.
  Chega em Santa Bárbara Ribeiro, que se interessa em casar com Besita.Luís e Galvão ficam sabendo do pedido.Jão tenta fazer com que Luís peça Besita em casamento(ele sabia que ela amava Luís e queria vê-la feliz, já que também era apaixonado por ela), porém Luís não pediu.
  Besita, com a “ajuda”(pressão) de seu pai, casa-se com Ribeiro, que saindo da igreja, sai em uma viagem em busca de sua herança(seu tio havia morrido).Jão, muito bravo com a atitude de Luís, sai de sua casa e vai morar com Besita.
  Em uma noite, dois meses depois do casamento, alguém bate a porta de Besita dizendo ser Ribeiro.Zana o deixa entrar e ele vai para o quarto de Besita,onde eles transam.Besita, após o ato, percebe que o homem era Luís Galvão e se desespera.As únicas pessoas que sabiam da história era Zana e Jão, que se enraiveceu e só não matou Luís porque Besita o impediu.
  Pouco tempo depois o pai de Besita morreu.Desde então ela não saía mais de casa.Logo nasceu Berta (Jão que escolheu o nome) e as únicas pessoas o saberem da existência da menina era Zana e Jão.O capanga descobre que Luís casou(com D. Ermelinda ), se enfurece e somente não o mata porque Besita o impediu  novamente.
   Passaram-se anos e Besita não era totalmente feliz, afinal sua vida não saiu como o planejado.Em uma manhã ela avista o rosto de Ribeiro não mata e avisa Zana, que retira a menina do colo de Besita e a pinta de carvão (para fingir ser sua filha).
   De tarde Ribeiro silenciosamente invade a casa e pergunta a Besita o que havia acontecido (de manhã ele viu Berta em seu colo).Besita fala a verdade, contudo, Ribeiro não acredita e deduz  que desde sempre ela o traía.Enfurecido Ribeiro estrangula Besita com as tranças dela, a qual grita.Zana chega ao quarto, pega Berta e vai para fora.Logo chega Jão Fera e se depara com Besita no chão, quase morta, o que o enche de ódio.Quando foi tentar alcançar Ribeiro, o qual fugia pela janela, Besita o chamou e o avisou que Berta estava em perigo (realmente,já que Ribeiro pretendia matá-la também,mas desistiu quando viu Jão).
  Jão vai a procura da menina, a acha nos braços de Zana e leva-a para Besita, que em seu último gesto beija-a , abraça-os e morre. Jão “entra em vertigem” e Berta começa a chorar de fome. Nesse momento passa Nhá Tudinha que ouve o choro e entra na casa.Jão conta o que aconteceu e Nhá Tudinha adota Berta.Ribeiro foge para Portugal.
  Após isso Jão passou a se embriagar, “arrumar” brigas e procurar por Ribeiro.As pessoas temiam-no.Por sua violência se tornou uma capanga(era protegido pelos ricos, os quais o contratavam).Sua “alma era calcinada pelo fogo surdo que lavrava desde a morte de Besita”.
  Uma crítica aos ricos e seus capangas: “Eles foram educados pelos poderosos como os dogues(dogs=cães) que se adestravam antigamente para a caça humana, dando-lhes a comer, desde pequenos, carne de índio.”O comportamento criminoso do capanga é explicado pela exploração da pobreza e falta de respeito humano por parte dos ricos e poderosos.
  Jão visitava Berta, levando dinheiro e presentes.A menina não dava atenção a aquele homem triste e carrancudo.Quando ela fez 12 anos começou a aparecer em seu corpo traços de mulher e Jão se “apaixonou”.Não era mais Berta que ele via e sentia, mas o vulto de Besita.
  Fazia um ano que Jão não matava mais ninguém e logo seus seguranças(pagos pelo ricos) não estavam mais com ele.Assim sendo, era alvo de vingança e possuía agora a terrível fama de “Jão Fera”.
  Quinze anos depois Ribeiro voltou a Santa Bárbara e seu falso nome era Barroso.Queria vingança e por isso mandou matar Luís Galvão.Contudo, nem Ribeiro nem Jão se reconheceram, mas um possuía aversão ao outro.Jão ainda não havia matado Luís e por isso Barroso fez o plano de incêndio no canavial.
  Voltando ao presente, Jão encontra Barroso e paga sua “dívida” em dinheiro.Berta entra no quarto e se tranca, deixando Afonso e Linda do lado de fora (estavam brincando).Berta grita e Afonso, olhando pelo buraco da porta, viu que havia uma cascavel.
  Berta, assustadíssima, cai de joelhos e a cascavel sobe em seu braço.A menina fica em uma espécie de transe que é interrompido por Brás, o qual entra pela janela e tira a cascavel de Berta, que se levanta e abre a porta.
  Linda e Afonso, preocupados, queriam saber o que havia acontecido.Berta aponta Brás, que corria com a cascavel na mão e some, e vai se encontrar com Pai Quicé.
  Na mata, a caminho do esconderijo de Jão, aparece um bando de queixadas( eram muitas).A morte de Pai Quicé e Berta era certa, conquanto, Jão aparece e salva-os.Pai Quicé ficou em cima de uma árvore, enquanto Jão e a menina foram parar em frente de Ave-Maria.
  Chegando lá, ouviram barulhos que vinham da mata.Apressado, Jão pega Berta e a leva para dentro da caverna, em seu esconderijo.Se Jão mexesse em uma determinada pedra a caverna desabaria e todos que estivessem dentro dela morreriam esmagados.
  Logo apareceu na entrada Gonçalo e alguns homens, que pretendiam matá-lo, no entanto, ninguém se atrevia a adentrar na escuridão da caverna.Em outra saída havia Filipino e seus homens.Jão (e Berta) estavam encurralados.
  Gonçalo gritava ameaças e era respondido com silêncio.Enquanto isso, Jão delirava por Berta, se aproximando da tal pedra, prestes a empurrá-la.Ele queria morrer junto com ela, a morte uniria eles.
  Berta, entretida, espiava por uma fresta os movimentos de Gonçalo(nem imaginando o que passava na cabeça de Jão). A menina percebeu que eles iam atirar, correu para Jão e disse que tinha medo de morrer, pedindo que a salvasse.O gosto da menina por viver fez Jão desistir de empurrar a pedra.
  Iniciou-se uma rajada de tiros, Jão agarrou Berta e saiu da caverna por um caminho que só ele conhecia, levando-a as plantações da fazenda de Palmas.Fez um pedido: “nunca mais ande pela mata sozinha”.
  Berta caminhava contente, já esquecida dos terríveis acontecimentos, quando Afonso apareceu e pediu um beijo.Ela o beijou no rosto a o abraçou.Miguel chegou e ficou chateado, contudo, Berta queria que ele gostasse de Linda.
  Afonso foi embora e Berta e Miguel foram caminhando juntos para o casarão da fazenda de Palmas.Berta começou a falar das qualidades de Linda, em uma tentativa que o menino se apaixonasse por ela.
  Chegando perto do casarão, Berta percebeu que Linda e Afonso estavam atrás de um arbusto.Então ela perguntou a Miguel se ele gostava de Linda, e ele, “fascinado” pela descrição que Berta fazia dela, respondeu que gostava muito.Linda saiu de trás do arbusto e os dois foram de mão dadas até chegar ao casarão.
   Era noite de São João.Miguel e Linda trocavam olhares, gestos e palavras em um canto.Miguel agora gostava de Linda(antes ele achava impossível, devido a diferença de classes).A semente de seu amor germinará graças a insistência de Berta.Naquela época, mesmo sem terem se beijado, já passava pela cabeça dos dois se casarem.
  Berta observava tudo de longe.Ela vinha a meses tentando fazer Miguel gostar de Linda, e finalmente conseguiu.Pela primeira vez o livro revela que Berta amava Miguel, e agora que ele e Linda estavam bem, se sentia triste e só.
  Luís conversava com seus amigos dentro do casarão e surgiu o assunto de Besita.Luís mudoi de assunto o mais rápido possível, mas D. Ermelinda ouviu e se chateou, indo para a janela.
  Quando Berta percebeu D. Ermelinda olhando correu para os dois, tentando disfarçar.Contudo, D. Ermelinda percebeu a aproximação de sua filha com o plebeu.
  Brás, percebendo a tristeza e solidão de Til: subiu, com muito esforço, em um mastro e apanhou flores que estavam em seu topo(era uma brincadeira típica da festa de São João), levando a ela.Til adorou  essa demonstração pura de amor e lágrimas caíram de seu rosto.
  Acontecia nas senzalas uma outra festa.Florência esperava Amâncio(mulato que trabalhava no casarão) chegar.Quando ele surgiu, os dois começaram a dançar.No entanto Rosa,rival de Florência, que também gostava de Amâncio, começou a brigar com ele.Faustino surgiu, separou a briga e logo ouve o toque de recolher.
  A festa terminará. D. Ermelinda estava abatida como esposa, devido a Besita(por Luís Galvão nunca ter lhe contado) e como mãe, pela aproximação de Linda com Miguel. Luís ouve alguém gritando “fogo”, olha pela janela, vê o incêndio, avisa D.Ermelinda(que se assusta) e vai em direção ao canavial, gritando e esperando que logo os escravos estivessem junto dele.
  O caseiro acordou sonolento, não conseguindo achar as chaves da senzala(monjolo roubou-as, justamente para Luís ficar sozinho perto das chamas).Atrás do fazendeiro ia apenas Faustino e Monjolo, já que queriam assistir ao assassinato.
  Assim que Afonso acordou, foi correndo em direção ao pai.D. Ermelinda desmaiou de susto quando viu um vulto batendo em Luís Galvão, que caiu como morto( nesse momento ela estava na varanda do casarão, junto com Linda).
 O tal vulto era Gonçalo.O plano era levar Luís Galvão a Barroso, que o esperava perto dali.Jão surge, joga Gonçalo nas chamas e salva Luís Galvão, deixando claro ao fazendeiro que só o salvou porque ele mesmo iria matá-lo um dia(ainda sentia raiva do que ele fez com Besita).Outro motivo, que ele deixou inculto, era que Berta podia achar que ele teria matado o fazendeiro(já que ela sabia que ele havia sido contratado para isso), o que ia fazer com que ela perdesse a confiança nele.
  Um pouco antes disso Jão já tinha matado monjolo e Faustino.O capanga sabia de todo o plano porque de manhã o ouvira, quando foi quitar sua dívida com Barroso.Agora ia de encontro com Barroso, para matá-lo.Miguel surgiu e tentou interrompê-lo, sem resultado.Berta apareceu e gritou, fazendo Jão desistir e correr pela mata.
  Três dias depois da festa, Berta descobriu que Jão havia sido preso.Foi para as ruínas e Zana estava muito agitada, devido a presença de Ribeiro, que Berta não percebeu, pois se preocupava com Miguel e Linda, já que D. Ermelinda não “desgrudava” mais de sua filha depois de ter visto a aproximação dela com Miguel.Berta chegou a pensar que finalmente poderia amar Miguel, mas logo se culpou de seu “egoísmo” que atrapalharia a felicidade de Linda. Outra preocupação era Jão.Mesmo depois de seus “cruéis” assassinatos na noite de São João, Berta ainda sentia compaixão por ele.
  Ribeiro, atrás da mata, percebeu que Berta era filha de Besita(seus traços eram parecidos) e queria matar ela e Zana, a qual estava desesperada com a sua presença e queria proteger Berta a todo custo.
  Jão pensava que Berta não queria mais o ver devido aos assassinatos. Conforme combinado ele foi para a fazenda de Aguiar,onde Filipino e seus homens o esperavam.
  Chegando,deixou claro que gostaria que ninguém relasse nele.Aguiar concordou e avisou que na manha seguinte eles iriam para Campinas. Contudo, a noite Filipino e seus homens foram tentar amarrá-lo. Jão bateu neles e foi embora,uma vez que o trato havia sido rompido. Na mesma noite Jão teve palpitações que algo ruim aconteceria com Berta.De dia foi procurá-la e achou-a nas ruínas,quando Ribeiro estava prestes a matá-la  e matar Zana.
  Jão estremeceu com o perigo que Berta corria e matou Ribeiro a facadas. Zana riu alto e Berta não percebeu o acontecido.Brás, que não gostava de Jão, guiou Berta que viu Jão em cima do cadáver de Ribeiro e saiu correndo.Jão foi atrás e implorou seu perdão,lágrimas caiam de seu rosto(afinal o capanga o matou para a proteção de Berta).
  Luís percebeu a chateação de D. Ermelinda.Ele sabia que Berta era sua filha e não sentia tristeza em vê-la. Dias atrás, antes de partir para Campinas e com medo de ser assassinado, o fazendeiro fez um testamento afirmando que Berta era sua filha(esse é o documento que ele esqueceu).Luís queria contar a verdade, mas tinha medo da reação da esposa.
  A família ia viajar e Linda ficou muito triste.Quando viu Miguel foi correndo contar da viagem.Sua mãe chegou e disse para se despedirem.Os dois se abraçaram e partiram chorando.
  Era outro dia,estava tendo em Piracicaba uma festa chamada Congada,na qual os negros se vestiam.Na festa estava a família Galvão,Nhá Tudinha,Berta,Miguel e Jão Fera,que estava preso em uma gaiola externa.Berta e Miguel estavam constrangidos e não conversavam.A menina avistou Jão, o qual se entregou depois da morte de Ribeiro (pois achava que Berta jamais iria perdoá-lo).
  Logo Afonso foi paquerar Berta e Luis ficava observando-os, relembrando de seus tempos com Besita.Um “caipó” chegou ao casal jovem,disse a Afonso “ Teu pai matou a mãe dela [...]”,levou o menino a Luís e pediu a ele que tivesse cuidado  com o filho.Nem Berta nem Afonso entenderam o porque daquele caipó dizer aquilo.
Jão fugiu da prisão e a festa terminou.A família Galvão voltava para  Santa Bárbara quando Zana apareceu e pediu para Afonso não fazer “mal” a Berta senão seu marido a mataria(estava delirando, confundindo  Berta com Besita).
  Luis não agüentou mais esconder o segredo, pediu que Afonso e Linda seguissem para casa, levou D. Ermelinda as ruínas e contou-lhe toda a história.
  A esposa, na manhã seguinte, depois de se recuperar, disse a Luís que ele tinha que assumir Berta como filha.Ela também pediu a Nhá Tudinha que contasse a história a Berta.
  Nhá Tudinha contou parte da história, escondendo e mudando alguns fatos.A esperta menina percebeu as mentiras e foi perguntar a Zana a real história, nas ruínas.
  Jão estava escondido, esperando-a.Se Berta ainda achasse que ele era um monstro, ele voltaria à prisão.Berta o avistou e perguntou a história verdadeira de sua mãe.Antes de contar Jão fez a promessa de que não iria matar mais ninguém, e novamente beijou o santinho no cordão de Berta.
  Jão contou.Ela, chorando, disse que seu verdadeiro pai era ele(Jão) e que compreendia toda a sua raiva.A menina não aceitou ser reconhecida por Luís e pediu que em seu lugar Miguel fosse reconhecido.O fazendeiro não pode recusar seu pedido.
  Então Miguel ia para São Paulo estudar.Foi despedir-se de Berta, que se encontrava  em frente da casa de Nhá Tudinha, junto com Brás, Zana e Jão Fera.  Miguel disse que a amava e queria que ela fosse para São Paulo também.Berta, apesar de amar Miguel, não aceitou.Se despediram e Miguel partiu.
  Berta ficou pois havia almas feridas(Jão, Brás e Zana) que precisavam dela.Berta, antes de tudo, era uma pessoa extremamente bondosa, uma alma sóror(tratamento dado a feiras).

Texto de Graziella Toffolo Luiz

FONTE
- Til (1872), José de Alencar
http://www.abcdamedicina.com.br/til-de-jose-de-alencar-resumo-caracteristicas-da-obra-personagens.html acessado em julho/2012

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