quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Resumo de Memórias de um Sargento de Milícias


Resumo de Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida


Autor e obra
  Manuel Antônio de Almeida era filho de um modesto casal de portugueses, perdeu o pai aos dez anos de idade. Pode-se supor que tenha conhecido de perto a vida da pequena classe média carioca, que povoa sua obra-prima. Sabe-se que estudou desenho na Academia de Belas Artes e que, feitos os preparatórios, foi aprovado em 1848 para o curso de medicina. Formou-se médico em 1855, tendo perdido dois anos, talvez por dificuldades financeiras, que devem tê-lo impedido de exercer a profissão. A necessidade de prover os meios para sua sobrevivência o levara ao jornalismo. Trabalhou como revisor, traduzir para folhetins de jornal e foi redator do Correio Mercantil.
  Publicou o romance Memórias de um Sargento de Milícias em folhetins anônimos quando cursava medicina. Cada capítulo do livro foi publicado semanalmente em um jornal. Todos os folhetins foram reunidos e formaram o livro “Memórias de um Sargento de Milícias” em 1854 e 1855, em dois volumes, como autor ”Um Brasileiro”. Essa omissão de seu nome no romance indica que Manuel Antônio de Almeida não queria seguir uma carreira literária. Era extremamente talentoso, uma vez que era médico, escritor, músico, tradutor e pintor.Além disso, depois que se formou em medicina, ingressou na carreira política, morrendo em um naufrágio enquanto fazia propaganda para um deputado.


Personagens

LEONARDO- protagonista que garante unidade à narrativa. O sargento de milícias a que se refere o título da obra é Leonardo, embora o personagem obtenha esse cargo somente nas últimas páginas do livro. Era esperto e possuía um gênero cólico.

LEONARDO-PATACA- pai de Leonardo, um meirinho (oficial de Justiça) que fora vendedor de roupas em Lisboa e, durante sua viagem ao Brasil, conhece Maria das Hortaliças, o que resultará no nascimento de Leonardo.

MARIA DAS HORTALIÇAS- mãe de Leonardo, uma saloia (camponesa) muito namoradeira, que abandona o filho para ficar com outro homem.

O COMPADRE (OU PADRINHO)- é dono de uma barbearia e toma a guarda de Leonardo após os pais abandonarem a criança. Torna-se um segundo pai para ele, sendo extremamente atencioso e preocupado com o menino.

A COMADRE (OU MADRINHA)- mulher gorda e bonachona, parteira, apresentada como ingênua, frequentadora assídua de missas e festas religiosas. No decorrer do livro sempre se mostra muito apegada à Leonardo

MAJOR VIDIGAL- homem alto, não muito gordo, com ares de moleirão. Apesar do aspecto pachorrento, era quem impunha a lei de modo enérgico e centralizado, sendo severo.

DONA MARIA- mulher idosa e muito gorda, não era bonita, mas tinha aspecto bem-cuidado. Era rica e devotada aos pobres. Tinha, contudo, o vício das demandas (disputas judiciais).

LUISINHA- sobrinha de dona Maria, possuía um coração terno. Seu aspecto, inicialmente sem graça, se transforma gradualmente, até se tornar uma rapariga encantadora.

VIDINHA-  mulata de 18 a 20 anos, muito bonita, doce, atraente, namoradeira, que atrai as atenções de Leonardo.

TOMÁS- amigo de infância de Leonardinho, foi sacristão junto com ele. Quando adolescente,  o reencontrou.

TEOTÔNIO- homem extremamente divertido, com vários dons, dentre eles o de imitar as pessoas, cantar e dançar. A única coisa que fazia na vida era ir à festas e animá-las, além de ser um apostador de jogos. Procurado pelo Major Vidigal.

MARIA REGALADA- risonha, amorosa, escandalosa, gentil, paixão do Major Vidigal, o qual era a sua paixão antes de entrar na polícia.

JOSÉ MANUEL- magro e mentiroso, falava mal da vida das pessoas. Disputa com Leonardo a moça Luisinha (interessado no dinheiro de Dona Maria).

CHIQUINHA- filha da comadre, casa-se com Leonardo Pataca. Antipática a Leonardo, viviam brigando e ela fazia de tudo para irritá-lo.

Mestre-de-reza de D. Maria- velho cego, porém extremamente astuto e rigoroso. Ensinava as escravas de D. Maria a rezar. Reata a relação de José Manuel e D. Maria.


Tempo e espaço

A história se passa no Segundo Reinado na época de D. João VI na cidade do Rio de Janeiro.Como os personagens são de baixa renda, as ações acontecem em bairros mais afastados do centro.

Análise da obra


    - Tom humorístico

 - Romance de costumes: faz crônica de costumes do Rio Colonial, na época de D.João VI (início do século XIX)

 - Se concentra nas proezas de Leonardo-Pataca e de seu filho Leonardo(dois estereótipos da malandragem carioca), principalmente nas amorosas, além de retratar(com muitos detalhes) festas, encontros, instituições e profissões populares da cidade

 -É uma obra escrita na época do romantismo, mas que se distancia das características das épocas pelos seguintes motivos:
  - não envolve personagens da elite, mas sim pessoas de baixa renda;
  - não há idealização dos personagens, mas descrição direta, objetiva e realista;
  - o protagonista(Leonardo) não é um herói nem um vilão:é um anti-herói malandro, de natureza cômica;
  - as cenas não são idealizadas, mas sim reais e com poucos aspectos poéticos;
  - ausência de moralismo e recusa da ideia de que as ações humanas se dividem necessariamente entre boas e más;
  - o estilo é oral e descontraído, com uma linguagem simples e direta, diferente da conversa ou do estilo jornalístico da época.
  Tal originalidade afastou a obra do Romantismo e ao mesmo tempo a aproximou do Realismo, do Modernismo e do folclore nacional,ou seja, é um Romance excêntrico, de transição.

 - Há a exageração dos traços físicos dos personagens e das situações, ou seja, caricaturas

 - Rompe a tensão bem x mal, heroi x vilão.As personagens praticam o bem e o mal, impulsionadas pelas necessidades  -> típico do Romantismo

 - Leonardo é um anti-heroi, “filho de uma pisadela e de um beliscão”

 - Imparcialidade do narrador -> neutro e onisciente

 - Fidelidade ao real

 - Digressões e metalinguagem

 - Não há juízo moral

 - Não é considerada uma obra percussora do Realismo, pois o Realismo pertencente a ela é espontâneo, arcaico,sem o estofo analítico da 2ª metade do século XIX

 - No decorrer do livro alguns personagens (como D. Maria e a comadre) acreditam que coisas ruins acontecem com Leonardo por azar, por ele ter nascido num dia ruim

- O narrador dialoga com o leitor, no decorrer do livro

- O livro é narrado em 3ª pessoa  e o narrador é onisciente


Síntese

  Leonardo Pataca era um português que veio trabalhar no Brasil. Na viagem, conheceu Maria-da-Hortaliça. Eles se paqueraram no navio através de uma pisadela e um beliscão. Chegando ao Brasil, ela começou a sentir enjoos: estava grávida de Leonardo. Eles foram morar juntos. Chegou o dia do batismo do bebê. No início, a festa estava com ares aristocráticos conforme o desejo de Leonardo-Pataca. Já no final estava uma gritaria, um alvoroço.
  Sete anos se passaram. O filho deles havia crescido. Leonardo era estranho, arteiro e guloso, apanhando sempre da mãe. Um dia Leonardo Pataca chegou na sua casa sem avisar e confirmou algo que já desconfiava: Maria o traía. Espancou a mulher e o filho, o qual, muito arteiro estava rasgando seus papeis no momento da briga. Só parou de bater na Maria-da-Hortaliça quando um barbeiro amigo e padrinho de Leonardo interviu. Leonardo saiu bravo.
  De tarde voltou para tentar uma reconciliação com a esposa, apesar de ainda estar relutante. O barbeiro o acompanhou e lá chegando descobriram que Maria havia partido para Portugal junto com um capitão. Assim, Leonardo saiu em choros, abandonando o filho, que agora era de responsabilidade do padrinho.
  O padrinho sempre foi um homem sozinho e por isso pegou muito amor por Leonardo. Até suas travessuras o “agradavam”. Ele tinha algum dinheiro guardado e como era sozinho estava disposto a gastar com o futuro do afilhado. Pensou em formá-lo como meirinho ou até mesmo barbeiro, afinal, esse era o modo como ele tinha se “arranjado”. Depois de muito pensar, decidiu que o menino deveria ser padre. Então, conversou com ele e pediu para que parasse de aprontar travessuras. O menino não apreciou muito a ideia.
  No mesmo dia havia uma procissão. Leonardo, escondido do padrinho, entrou nela fazendo farra e gritaria, seguindo-a. Na mesma noite, seu pai, apaixonado por uma cigana, que não o correspondia, foi a um horripilante casebre de um homem que fazia feitiçaria (emprego muito lucrativo na época). O negrinho pediu que ele entrasse e fosse orar perto da fogueira, onde estavam mais três ajudantes.
  De repente bateu na porta o Vidigal. Naquela época, a polícia não era bem organizada e o Vidigal era temido, pois ele julgava os casos e dava ordem de prisão (“a sua justiça era infalível”). Ele invade o casebre com vários soldados junto de si. Leonardo tentava se esconder assustadíssimo sem resultado, pois conhecia o Vidigal. A feitiçaria era proibida na época, um tabu. O Vidigal ordena que eles continuem dançando ao redor da fogueira. Os soldados debochavam e horas depois, quando pararam de tão cansados, o Vidigal ordenou chibatadas. E todos foram para uma casa de guarda. Leonardo implorou para que o deixasse livre, não queria que todos soubessem que ele havia se envolvido com bruxaria. Mas nada adiantou, o Vidigal não poupou sua liberdade.
  Ele passou a noite e boa parte da manhã em uma casa de guarda. A notícia já havia se espalhado entre os meirinhos. Quando Leonardo Pataca achou que ia ser liberto foi enviado para a prisão.
  E o Leonardo (filho), aonde estava? Passou a noite em uma festa cigana com dois meninos que achou na procissão da Via-Sacra. Os ciganos eram ociosos e desonestos. De manhã, o menino voltou para casa e encontrou o padrinho muito preocupado que passou parte da noite o procurando. O menino afirmou que foi ver um oratório e tudo ficou bem.
  A madrinha de Leonardinho, sua parteira, era muito “ocupada”, pois não faltava em nenhuma missa. Em uma delas ouviu boatos do que acontecera com Leonardo (pai) e  a Comadre foi visitar o padrinho para saber todos os detalhes. Foi apenas com curiosidade, queria assunto para fuxicar nas missas.
  O padrinho contou-lhe tudo, inclusive seu desejo do menino ser padre. A madrinha não concordava, achava que era melhor o menino aprender um ofício. E a partir deste dia, vinha periodicamente ensiná-lo o alfabeto, por um motivo que só saberemos depois.
  A comadre foi até o pátio dos bichos, lugar onde ficavam os soldados idosos, os quais, muitas vezes, adormeciam e eram caçoados. Ela pediu a velho tenente para soltar Leonardo, depois de lhe contar tudo o que havia se passado. Ela fez isso porque Leonardo Pataca pediu (na cadeia avisou um colega que a avisou), uma vez que esse velho tenente já conhecia Leonardo e já o havia ajudado. O tenente partiu e foi ajudá-lo.
  O velho tenente conheceu Leonardo da seguinte maneira: seu filho engravidou uma moça pobre em Portugal, dias antes dele vir para o Brasil. O velho tenente deu a moça uma quantia em dinheiro, mas em sua alma “a conta ainda não estava acertada”. Muitos anos depois o velho tenente descobriu que a sua neta estava no Brasil: era Maria, esposa de Leonardo. Então, sentiu obrigação de fazer algo por eles. Em uma certa ocasião, livrou Leonardo de um pequeno acontecimento. Leonardo achava que o velho havia lhe ajudado por que ele era um homem bom e quando se viu preso, não hesitou em pedir ajuda.
  O padrinho, chamado de Compadre, desconhecia a própria origem. Aprendera o ofício de barbeiro com o homem que o criara. Depois de rapaz, desligou-se da família e embarcou para a África como médico num navio negreiro, pois fazia sangrias com eficiência (método usado na época para curar pessoas). Na volta ao Brasil, tendo ganhado a confiança da tripulação, foi chamado ao leito de morte do capitão, que lhe confiou um baú de dinheiro para que o entregasse a uma filha residente no Rio. O barbeiro ficou com o dinheiro, em vez de entregá-lo a suposta herdeira. 
  Demonstrava extrema paciência com o enteado, que sempre frustrava suas expectativas. É também tolerante com a vizinha, que não perde chance em provocá-lo por causa das diabruras do afilhado.
  O Compadre continuava a ensinar à Leonardinho o alfabeto e as rezas. Percebeu que o menino tinha aversão a religião, mas não desistiu, o menino havia de ser padre. Os vizinhos não acreditavam nisso, o que até gerou brigas. O velho tenente, quando descobriu que Maria, havia ido embora para Portugal, tentou pegar a guarda de Leonardinho para tentar “acertar a conta” que seu filho fez. Mas não obteve resultado. O Compadre começou a criar Leonardinho e ia terminar, pois sonhava com um grande futuro para ele.
  O menino, depois de muito esforço, aprendeu uma reza. O Compadre o colocou em uma escola para clérigos e ele apanhou muito no primeiro dia (o instrutor era extremamente severo), jurando nunca mais voltar a uma escola. Com muita persistência, o Compadre conseguiu que ele ficasse na escola durante dois anos. O menino começou a “furar” aula, indo sempre para a Igreja da Sé, a qual, sempre muito cheia, tornava-se difícil achá-lo. E lá fez amizade com um sacristão (coroinha). Pouco tempo depois, aprontava muitas travessuras. Certa vez, os dois se vingaram de uma vizinha ranzinza. Leonardinho, que não gostava dela, jogava fumaça do turíbulo no seu rosto durante uma missa inteira.
  A vizinha foi reclamar com o mestre-de-cerimônias, o qual repreendeu os meninos. Eles, então, resolveram se vingar dele também avisando errado o horário do sermão mais importante do ano que o mestre de cerimônias tinha que dar. No momento do aviso, o padre estava na casa de uma cigana, lugar que frequentava em segredo. O mestre-de-cerimônias chegou atrasado para o sermão e ficou extremamente bravo, expulsando Leonardinho de seu ofício de sacristão. A vizinha ranzinza e a comadre avisaram o Compadre que o menino não tinha vocação para a Igreja.
  Leonardo (pai) descobriu que o homem que a cigana saía era o tal mestre-de-cerimonias. (que babado! haha) Planejou uma vingança, enfurecido. Chegou a uma festa de aniversário da cigana e o mestre-de-cerimonias estava em um quarto. Um “valentão” (Chico-Juca), contratado por Leonardo, entrou na festa e provocou uma desordem. Em seguida, avisou o Vidigal. Leonardo escondeu-se em lugar conveniente e ficou observando o resultado de sua intriga. Entrou o Vidigal com seus granadeiros. O padre foi pego em flagrante delito de amor: de cuecas, meias pretas, sapatos de fivela e um gorrinho na cabeça. Trazido assim para a sala, todos desataram a rir. Em seguida, o padre foi conduzido à Casa de Guarda na Sé. No dia seguinte, foi liberto. Para não perder o emprego que estava em risco, ele decidiu abandonar a Cigana.
  Depois disso, Leonardo conseguiu unir-se à Cigana por mais uns tempos. A Comadre lhe deu um sermão e muitos de seus colegas não aprovaram essa reaproximação. A Comadre tinha interesses e queria que Leonardo se casasse com sua filha, a qual morava com ela e lhe pesava muito. Leonardo não se abalou com o sermão, estava extremamente feliz com a Cigana. Contudo, posteriormente, será feito um plano para que Leonardo se case com a sobrinha da Comadre do qual até a Cigana irá participar.
  Na cidade estava havendo uma procissão e, como de costume, por onde ela passava as pessoas abriam as portas para receber visitas. O Compadre, Leonardinho, a Comadre e a vizinha ranzinza foram parar na casa de D. Maria. O Compadre começou a contar a D. Maria sobre o afilhado, enquanto a vizinha intervia, atrapalhando. No final, quando a procissão já havia passado e todos estavam indo embora, D. Maria pediu ao compadre que aparecesse novamente para conversarem sobre o futuro do menino. (“Já se vê que o menino não era dos mais infelizes pois que, se tinha inimigos, achava também protetores por  toda a parte”)
  Alguns anos se passaram. Leonardo tinha muitas opções a escolher: ser clérigo (Compadre), artista (Comadre) ou algo relacionado a cartórios e processos (D. Maria): “(...) escolheu a pior possível (...) constituiu-se um completo vadio (...)”. Eles continuavam a visitar D. Maria. Leonardo odiava visitá-la, era entedioso. 
  D. Maria, já muito velha, conseguiu a guarda de uma sobrinha que perdeu os pais. A menina, chamada Luisinha, era desengonçada e feia, “ainda não tinha adquirido a beleza de moça”. Porém, por mais que rirá interiormente quando a virá, se sentiu atraído. E um tempo depois, quando foram visitar D. Maria novamente em um domingo de Espírito Santo, Leonardo foi o primeiro a estar pronto. Quando viu a menina não sentiu mais vontade de rir. O Compadre e D. Maria combinaram de irem ver os fogos a noite.
  A noite chegou. Leonardo e Luisinha foram de braços dados. Luisinha permaneceu em silêncio e quieta como sempre até a hora dos fogos, quando se extasiou e ficou maravilhada. Ela se apoiava em Leonardo para ver melhor e os dois se familiarizaram. Voltaram de mãos dadas e conversando. A despedida foi uma tristeza para ambos, que agora pareciam velhos conhecidos.
  Porém,quando houve a próxima visita, Luisinha voltou a ser o que era, quieta, sem nem olhar para Leonardo. E as próximas visitas assim foram até a chegada de José Manuel. Desde o princípio, o Compadre e Leonardo não gostaram de José que só sabia falar da vida dos outros. A raiva de Leonardo aumentou quando ele percebeu que José estava interessado em casar-se com Luisinha, pois essa era a única herdeira de D. Maria, a qual já estava velha. Ele pensou até em matá-lo. O Compadre também não gostava da ideia de Luisinha e José juntos, uma vez que ele tinha desistido da ideia de Leonardo ir para Coimbra e agora queria que ele casasse com a moça. Então, ele contou a Comadre o que acontecia e pediu que ela “tirasse José Manuel do caminho”.
  A Comadre aceitou, pois também queria ver seu afilhado bem. Começou a dar indiretas para D. Maria sobre o real interesse de José Manuel. Leonardo decidiu mostrar a Luisinha o amor que sentia. Em uma visita, quando os dois estavam sozinhos, depois de muito pensar, ele se declarou. Luisinha saiu muda e envergonhada. Dias depois, notava-se que ela estava mais bonita, tanto interiormente como exteriormente, estava mais agitada.
  Leonardo-Pataca havia há muito tempo abandonado a Cigana e se casado com Chiquinha, a qual engravidou. Chegou o dia do parto e a Comadre veio ajudar. Ela era uma das parteiras mais conhecidas. Na época, durante o parto, era usado muitos santos e fé, sendo a religiosidade um “médico”. Leonardo-Pataca ficou extremamente nervoso até a criança nascer. Era uma menina e o pai ficou muito alegre por tudo ter dado certo.
  A Comadre aproveitou uma história de um roubo misterioso de uma moça na cidade e disse a D. Maria que o ladrão era José Manuel. Logo quando José Manuel apareceu, D. Maria o acusou, sem conseguir guardar segredo como a Comadre pediu. José jurou que era mentira, sem sucesso.
  José Manuel, muito esperto, percebera que tinha um inimigo, mas não sabia quem. Então se aliou ao mestre-de-reza (ensinava rezas aos criados de D. Maria), o qual tinha fama de ótimo casamenteiro. Muito astuto, em conversa com D. Maria fingiu, de alguma maneira, saber tudo sobre o tal roubo misterioso, não dizendo quem era o ladrão, deixando a velha em dúvida.
  O Compadre adoeceu e morreu. Leonardo foi morar com o pai e a Comadre também. Leonardo, conforme no testamento do Compadre, era o único herdeiro de sua fortuna. No enterro, Leonardo e Luisinha se aproximaram e nas visitas seguintes en que ele e a Comadre fizeram a D. Maria, os dois passaram a conversar.
  Leonardo (filho) e Chiquinha não se davam bem e a cada dia, as brigas pioravam. Certo dia, Leonardo foi para casa bravo por Luisinha não ter ido lhe ver em uma de suas visitas a D. Maria. Chiquinha se aproveitou da situação e o provocou. Leonardo, que não era calmo, avançou sobre a mulher, fazendo Leonardo-Pataca o ameaçar com uma espada. Depois da ameaça do pai, o menino fugiu. A Comadre chegou e depois de saber do acontecido, indignada, foi atrás do afilhado.
  Leonardo andou muito, chateado com o ocorrido. Quando parou, começou a pensar em Luisinha. Assim ficou um tempo até que percebeu que atrás dele acontecia uma festa de uma súcia (grupo mal falado). Estava de saída quando reconheceu que um dos membros da súcia era seu antigo amigo sacristão. Contou a ele tudo o que havia acontecido. O antigo amigo lhe convidou para seguir com o bando e Leonardo, que não sabia o que fazer, seguiu com eles.
  Leonardo se apaixonou por Vidinha quando a viu cantando modinhas. O problema é que já havia dois rapazes da súcia interessados nela. Leonardo até chegou a pensar em como havia se apaixonado por Luisinha, estranha, quieta, enquanto havia mulheres como Vidinha: morenas, sensuais e bonitas.
  A comadre depois de muito procurar seu afilhado foi na casa de D. Maria. O meste-de-reza já havia cumprido seu trabalho: trouxe o pai da moça do roubo misterioso, o qual sabia quem era o assaltante (não era José Manuel) e denunciou a Comadre para D. Maria. Muito esperto e observador, foi ele que descobriu que a comadre e Leonardo (filho) eram os inimigos de José Manuel.
  D. Maria já havia perdoado José Manuel e pensava que ele poderia ser o futuro marido de Luisinha. A Comadre, depois das reais acusações, pediu desculpas e foi perdoada. Ela percebeu que quem a desmascarou era o mestre-de-reza e sabia, que apesar de “atrasado”, Leonardo ainda estava na disputa por Luisinha.
  Leonardo havia se tornado agregado onde Tomás morava. Com o passar dos dias, ele e Vidinha se aproximaram muito, o que provocou raiva e ciúmes nos dois rapazes, que moravam na mesma casa. Certo dia, houve uma discussão na família devido a “Vidinha e seus pretendentes”. Um dos rapazes brigou fisicamente com Leonardo, o qual também reagiu. Quando apartaram a briga, Leonardo ia embora, mesmo sem ter para onde ir: “pesava sobre o infeliz desde criança uma espécie de sina de Judeu Errante”.
  Mas, nesse momento, adentrou pelo portão a Comadre: finalmente havia achado seu afilhado. Depois de contar toda a sua vida às velhas irmãs solteiras responsáveis da casa e essas contarem suas histórias às comadres, ficou decidido que Leonardo permaneceria com as irmãs, as quais o estimavam muito. 
  Os dois rapazes pararam de implicar com Leonardo durante dias: eles tramavam algo. Leonardo se aproximou ainda mais de Vidinha e a Comadre sempre ia visitar ele e suas novas amigas: as velhas irmãs solteiras. Em uma outra “patuscada” (festa) fora todo o grupo. Logo no início, o Major Vidigal apareceu e levou Leonardo para o desespero de Vidinha e para a alegria dos dois rapazes (que haviam armado tal situação).
  José Manuel ajudou D. Maria a vencer uma causa da justiça, o que a deixou felicíssima. Muito esperto, pediu Luisinha em casamento. D. Maria aceitou e Luisinha também, já que Leonardo havia a abandonado. José Manuel casou por interesse na herança que Luisinha iria receber assim que D. Maria morresse.
  Leonardo só pensava em fugir enquanto andava na rua com Vidigal e seus soldados. Assim que pôde, o fez e voltou para a casa de Vidinha, onde já havia formado dois grupos: um que acusava os dois rapazes do acontecido com Leonardo e outro que os defendia. Com a sua chegada, tudo se acalmou. Contudo, Leonardo provocou profunda raiva no Major Vidigal, o qual nunca havia deixado ninguém fugir. Logo a notícia se espalhou e o Major, que era extremamente respeitado, foi caçoado. Ele queria se vingar de Leonardo.
  Mas porque o Major queria prender Leonardo? Porque os dois rapazes, querendo vingança, lhe contaram que ele era um vadio, que “vivia de favor” na casa de sua mãe e que queria roubar a pretendente deles, Vidinha.
  A Comadre, sabendo do motivo da “quase” prisão de seu afilhado, logo lhe arranjou um emprego e o Vidigal não poderia se vingar (afinal, agora ele não era mais vadio). Leonardo trabalhava em uma ucharia (despensa de carnes) real.
  Mas Leonardo se envolveu com uma namorada de um toma-largura do palácio real (“...recebera de seu pai a fatalidade de lhe provirem sempre os infortúnios dos devaneios do coração”). Vidinha desconfiou e o toma-largura também, “pegando” os dois almoçando juntos. Houve uma briga e Leonardo foi despedido. Vidinha, que descobriu o motivo dele ter sido despedido, brigou com ele. Depois de muito esbravejar decidiu ir na ucharia na casa do toma-largura. Chegando lá, ela xingou ele e sua namorada. Só que o tal empregado se encantou por Vidinha e decidiu que ia “ter um caso” com ela: era a melhor maneira de se vingar de Leonardo.
  Leonardo, preocupado com o que poderia acontecer, seguiu Vidinha que estava muito apressada. Quando foi entrar na ucharia, o Major Vidigal, que já o esperava a partir do momento que ele se tornou desempregado , lhe pegou. Leonardo permaneceu desaparecido por dias. Nem mesmo a Comadre conseguiu notícias dele. A família de Vidinha começou a desconfiar que ele não aparecia porque não queria, e achou isso a maior ingratidão possível.   E passaram a odiá-lo, principalmente Vidinha, a qual ainda tinha raiva dele pelo “amor ofendido”. 
  O toma-largura passava todo dia pela casa de Vidinha. Todos da família perceberam o interesse do homem e acharam-no um ótimo pretendente para ela.
  Após alguns dias, resolveram fazer uma súcia e o toma-largura foi convidado. Só que ele era um bêbado. No final da festa, embriagado, se irritou e começou a atirar objetos, quando apareceu o Major Vidigal e seus granadeiros. Um dos granadeiros avançou para o toma-largura lhe dizendo que tinha contas a acertar. Era Leonardo, o qual o capturou e ia levá-lo para a Casa de Guarda. Contudo, o toma-largura desmaiou no caminho e eles resolveram deixa-lo por lá: “era a mais bela vingança”.
  Mas como Leonardo havia se tornado granadeiro? Depois de ser capturado pelo Major Vidigal, abriu uma vaga para granadeiro, e o Major, sabendo que Leonardo era esperto e astuto, fez com que ele se tornasse seu novo granadeiro. Só que mesmo na carreira militar, ele cometia diabruras. 
  Certa vez, o Vidigal ouviu boatos que aconteceria uma grande festa, e que ultimamente nessas festas cantavam cantigas pejorativas sobre ele.A festa era uma oportunidade perfeita para o Major checar se realmente estavam tirando sarro dele. Junto com os granadeiros, montou um plano. O combinado era que Leonardo conferisse se a festa estava acontecendo e desse um sinal para os granadeiros. Leonardo deu um assovio que significava que nada ocorria, porém não votlou. O Major e os granadeiros, depois de ficarem esperando-o por muito tempo, decidiram ir procurá-lo.
  Chegando ao local viram que a festa realmente acontecia e que havia um sujeito deitado no chão com a cabeça coberta que representava o Major Vidigal morto. O Major, depois de esvaziar a casa, ordenou que o sujeito, que tentou fugir, tirasse o saco da cabeça. Era Leonardo. Para a surpresa de todos, o Major não fez nada, o que causou remorsos em Leonardo.
  Um tempo depois, o Major decidiu capturar Teotônio em uma festa, o que já queria há tempos. Essa festa era o batismo da filha de Leonardo-Pataca. O Major pediu a Leonardo que fosse ao batismo, para vigiar Teotônio e avisar o Major na hora em que estivesse indo embora. Leonardo não queria, pois estava brigado com seu pai e com sua madrasta desde a época em que foi ameaçado com a espada, todavia sentia que devia algo ao Major e foi.
  Ao contrário do que pensou, ele foi muito bem recebido e durante a festa “começou o Leonardo a sentir remorsos pelo papel de Judas que ali estava representando”. Então, resolveu ajudar Teotônio, dizendo o porquê dele estar ali. Os dois se juntaram e montaram um plano. Leonardo saiu da festa quando já era madrugada e avisou o Major que Teotônio estava vindo. O Major se deparou com um aleijado e após isso só passavam pessoas normais que estavam indo embora da festa. O Major foi cobrar de Leonardo o porquê de Teotônio não ter passado ali. Ele afirmou que Teotônio havia saído da festa com um chapéu de palha e jaqueta branca. O Major percebeu que Teotônio era o aleijado com quem ele tinha se deparado (Teotônio possuía grande talento para imitar).
  Logo pela manhã, o Major e os granadeiros estavam se retirando do local, quando veio um amigo de Teotônio agradecer a Leonardo por ter ajudado o amigo, sem perceber a presença do Vidigal, o qual ordenou prisão a Leonardo.
  José Manuel entrou em guerra com D. Maria e se mudou de casa. Fez isso porque já estava casado, seu dote e sua herança estavam garantidos. Ele não deixava Luisinha sair e a maltratava e essa, sentia falta de Leonardo, das missas e de D. Maria, coisas que ela nunca havia dado muito valor.
  D. Maria, surpresa e decepcionada com José Manuel, entrou em uma ação contra ele. Ela e a Comadre voltaram a se falar e estavam mais unidas do que nunca. Uma prometeu ajudar a outra. A Comadre, quando soube da prisão de Leonardo, foi implorar para que o Vidigal o soltasse. O Major foi inflexível e disse que além de ficar preso, o rapaz também levaria chibatadas. Extremamente desesperada, a Comadre foi pedir ajuda para D. Maria. Ambas foram na casa de Maria-Regalada com uma única esperança: que ela fizesse o Major mudar de ideia.
  Partiram as três para a casa do Major Vidigal, o qual se intimidou com a presença delas. Depois de muita discussão, do Major derramar algumas lágrimas e, de um último golpe, uma promessa secreta de Maria Regalada ao Major, ele cedeu. Leonardo estava livre de tudo desde que Maria Regalada cumprisse com a sua palavra.
  José Manuel morreu de apoplexia (espécie de um derrame) quando voltava de um cartório, onde havia discutido com um procurador a respeito da ação de D. Maria contra ele. A morte foi o “juiz” dessa ação. Luisinha chorou, mas não era lágrimas de viúva (afinal, ele não merecia). Ela chorou como choraria por qualquer vivente.
  No final do enterro, Leonardo chegou com uma farda de sargento (“cargo alto” na época). Ele avistou Luisinha, a qual não via fazia tempo e se abalou. O mesmo aconteceu com ela. Conversaram por um bom tempo. Fazia tempo que eles não passavam por um momento tão agradável como esse. A Comadre e D. Maria perceberem o interesse mútuo do casal.
  Os dois começaram a namorar “escondidos”. O casal queria se casar e D.Maria e a Comadre também pensavam nisso. Só havia um problema: o cargo de Leonardo não permitia casamento. Leonardo e Luisinha se amavam, então ele decidiu diminuir seu posto para que assim ele pudesse se casar. Luisinha comentou com D. Maria seus planos e pediu ajuda.
  Mais uma vez, D. Maria procurou Maria Regalada, a qual estava morando com o Major Vidigal. Essa era a promessa secreta. Há tempos que o Vidigal pedia a ela que eles morassem juntos. Ela só demorou a aceitar por “capricho”, pois sempre desejou isso. O Major aceitou a proposta, já que achava certo Leonardo se casar com que gostava. Então, Leonardo foi rebaixado a Sargento de Milícias.
  Leonardo e Luisinha se casaram. Um tempo depois chegou a herança do padrinho barbeiro, D. Maria e Leonardo-Pataca morreram “e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores fazendo aqui o ponto o final.”

Texto de Graziella Toffolo Luiz


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Resumo de Vidas Secas


                Vidas Secas (1938) - Graciliano Ramos


Autor e obra

  Nasceu em Alagoas, em 1982, e teve 15 irmãos. Se envolveu, durante sua vida, com educação e política. 
  Com o golpe de 1930 ( Era Vargas), se afasta da política e começa a se dedicar mais a seus romances.
  Em 1933 volta como diretor da Instrução Pública e realiza uma grande reforma na educação de Alagoas, sendo preso por 3 anos, sendo acusado de se envolver com o comunismo.
  Após ser liberto passou a viver em uma pensão, no Rio de Janeiro. Para pagar a conta em tal pensão, Graciliano, ao atender um pedido de um amigo que desejava “umas histórias do Nordeste”, começa a escrever Vidas Secas. Cada capítulo, conforme ficava pronto, era vendido para ele conseguir se sustentar. Todo dia, antes de escrever algum capítulo de Vidas Secas, Graciliano fumava três maços de cigarro e bebia um pouco.
  Em 1945 se alia oficialmente ao Partido Comunista Brasileiro.Em 1951 se torna presidente da Associação Brasileira de Escritores. Morre em 1953 devido a um câncer.


Tempo e espaço

  O livro se passa no sertão nordestino, um lugar inóspito e monótono. A escassez das falas dos personagens ( que mal existe) se funde com a aridez do sertão. Era dificílimo encontrar um emprego, quem dirá uma boa remuneração. Fabiano vivia em um processo de semi-escravidão: trabalhava muito, ganhava pouco, além de ser roubado quando ia receber do patrão.
  Já o tempo em que a historia se desenvolve não é definido. A história de Fabiano e sua família sempre aconteceu no semi-árido nordestino.


Personagens

Fabiano: vaqueiro do sertão nordestino gostava do meio rural, é violentado por instituições sociais, sente-se diminuído e marginalizado, apresenta extraordinária capacidade de resistência, constitui um “herói” problemático, marcado pela contradição entre a revolta e a passividade, o que mais o atormenta é não ter o domínio da linguagem (mal falava), acredita em poderes sobrenaturais.

Sinha Vitória: mulher de Fabiano, era astuta. Seu maior sonho é ter uma cama, o que representa o alcance da consciência de cidadania, pela necessidade de sentir que vive uma vida autêntica, ocupada com os afazeres domésticos, para diminuir suas frustrações, nas horas de aflição costuma apelar para Deus e para Virgem Maria, personalidade mais dedicada, não tão tosca e primitiva como a do marido, é a âncora da família, demonstra possuir certa destreza mental, além de ser guerreira e forte.

Os meninos: eram dois, filhos de Fabiano e Sinhá Vitoria a ausência de nomes revela o processo de despersonalização a que foram submetidas pelas injustiças sociais, a miséria está relacionada com a ausência da fisionomia dos meninos. O menino mais novo, ingênuo, vê no pai um modelo a ser seguido, o mais velho, é inquieto e movido pela curiosidade.

Baleia: cachorra da família de Fabiano, era tratada como gente, uma espécie de irmã para os meninos, magra, vira-lata, os pontapés que recebe, deixam-na revoltada e, tal como os homens, “cogita” a possibilidade de fuga, durante o livro ela sofre um processo de “antropomorfização“.

Seu Tomás de Bolandeira: tido como exemplo de sabedoria, como um indivíduo alfabetizado, sábio, culto, porém falido. É um arquétipo em que as demais personagens se espelham, principalmente Fabiano.

Soldado Amarelo: simboliza o despotismo dos militares, o amarelo significa, no imaginário popular, o desespero, o ódio e a raiva, impõe-se com arrogância diante de Fabiano, prendendo-o.

Dono da fazenda: símbolo do poder econômico opressor representa o imobilismo de uma estrutura social que, aliada a outros elementos, acaba por determinar o nomadismo dos retirantes.

Fiscal da prefeitura: é um estágio menor das instituições sociais, figura que representa a intolerância da máquina governamental.


Análise da obra

- Vidas Secas é uma obra da Segunda Fase Modernista, inserida no ciclo do romance regionalista nordestino desenvolvido ao longo da década de 1930.

- É a obra que representa o grau máximo de depuração estilística pela concisão e pelos efeitos de sentido criados pelas manobras com a linguagem.

- O romance adquire uma dimensão épica, por problematizar as precárias condições de sobrevivência no sertão.

- Por trás dos acontecimentos, surge o tema da utopia de justiça social. A chama da esperança se sustenta na determinação com que os retirantes perseguem uma possibilidade concreta de participação social. O direito à cidadania é o anseio maior de cada personagem, cada um com suas particularidades.

- A estrutura do romance é aberta. Graciliano, no início do livro anuncia o anseio por um futuro melhor, registrando-a no futuro do pretérito (vestiriam, remoçaria, engrossariam, provocaria, renasceria), para afirmar o quanto eles sonham com essa possibilidade, mesmo sabendo dos imensos obstáculos que impediam sua concretização.

- O romance termina como começou, o que evidencia a circularidade que o compõe.

- As vidas se secam não só fisicamente, mas também a alma das personagens, considerando a dificuldade que sentem de estabelecer relacionamentos interpessoais.

- A linguagem rarefeita espelha a degradação do universo no qual os retirantes vivem. Nos poucos diálogos, se acumulam ruídos o que ocasiona a frustração do uso da linguagem. Até o papagaio, em seu curto tempo de vida, aprendeu apenas a imitar latidos.

- A desumanização das personagens e a humanização da cachorra Baleia é uma característica marcante do livro.

- Vidas Secas é um romance áspero, a sua poesia é densa, apontando para a urgência da reforma agrária no país.

- Os capítulos do livro são autônomos, ou seja, o leitor tem a liberdade de escolher qual quer ler primeiro.

- O foco narratico é em 3a pessoa, apresentando um aspecto inovador para esse foco de relato: a onisciência é prismática. Em Vidas Secas, o relato faz com que o leitor entre em contato direto com a realidade, enxergando-a pelo prisma da personagem que está em cena.

- No livro também há o emprego do discurso indireto livre, que dá ao narrador-observador um posicionamento discreto: sua "voz" quase se confunde com a das personagens.

- Apesar de a cronologia não estar explícita, cenas autônomas ("Mudança", "Inverno", "Fuga") deixam transparecer algumas ordenações temporais mais concretas que outras.

- A paisagem natural é tão hostil que é possível falar da existência de um contra-espaço: o sertão nordestino se torna o principal responsável pela expulsão dos sertanejos.

- Há a presença quase absoluta de um monólogo interior, por não existirem praticamente diálogos.


Síntese

  O livro se inicia com Fabiano, sua esposa Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorra Baleia andando no sertão. Eles já caminhavam há alguns dias sem um destino. No dia anterior, eles haviam matado o papagaio, pois estavam com muita fome.
  Avistavam juazeiros, era uma fazenda abandonada. A cachorra Baleia caçou um preá, o que animou toda a família. Fabiano e Sinhá Vitória estavam esperançosos, pois uma grande nuvem se formava no céu: iria chover. Fabiano pensava que finalmente teria chance de recomeçar, de se tornar o fazendeiro daquele lugar abandonado.
  A chuva chegou e o fazendeiro também, o que desconcertou Fabiano. Ele implorou para ficar e o fazendeiro aceitou, lhe dando alguns materiais, como botas.
  O fazendeiro vinhas às vezes e sempre reclamava grosseiramente dos serviços de Fabiano, apesar de estar tudo em ordem e do gado estar crescendo. Fabiano sabia que quando a seca retornasse, ele seria despedido, pois não haveria maneiras de manter o gado.
  O patrão era autoritário, sem-educação e o enganava na hora de pagar. Durante esses dias de trabalho, Fabiano chegou a pensar que era um homem, mas depois se corrigiu dizendo que era um bicho. “Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades”.
  Fabiano acreditava que seus filhos tinham que ser igual a ele, trabalhar em uma fazenda e não igual ao Seu Tomás da Bolandeira, que possuía um monte de livros e que estava em uma situação ruim.
  Um dia Fabiano foi até a cidade para comprar umas coisas. Entrou em um bar e bebeu apenas um copo de cachaça. Após isso, um soldado amarelo o chamou (sendo mais uma ordem do que um pedido) para jogar baralho com apostas em dinheiro. Fabiano perdeu o pouco do dinheiro que lhe restava e foi embora, sem se despedir do soldado amarelo. Já estava na rua quando o tal soldado o perseguiu. Fabiano, após receber um pisa no pé, xingou a mãe do soldado, sendo preso.
  Quando chegou à prisão foi espancado. Não conseguia entender porque aquilo tinha acontecido. Não conseguia se explicar para o delegado, mal sabia falar. Não acreditava que o soldado amarelo fez tudo aquilo com ele só porque ele não se despediu. Pensava em Sinhá Vitória e nos meninos, que já deviam estar preocupados com sua demora. Os meninos provavelmente seriam como ele quando crescerem: brutos, e seriam “pisados” por soldados amarelos sem chance de se defender. Não se diz no livro, mas se deduz que Fabiano logo foi solto.
  Em um dia na fazenda, Sinhá Vitória, já exausta doas afazeres domésticos, discutiu com Fabiano, pois queria uma cama decente, como a de São Tomás de Bolandeira e não uma de palha. Ela se queixou do dinheiro que ele gastava bebendo e jogando e ele se queixou dos sapatos caros que Sinha Vitória usava em festas, dizendo que ela andava como um papagaio, o que a machucou muito (além da humilhação, ela se lembrou do papagaio que tiveram que matar). Para aumentar a raiva e a angústia de Sinhá Vitória, uma raposa comeu sua galinha mais gorda.
  Certa vez, o menino mais novo ficou admirando seu pai, Fabiano, enquanto domava uma égua na fazenda. Ele teimou que tinha que fazer algo parecido para impressionar sua família. Foi tentar se aproximar de Fabiano, Sinha Vitória, de seu irmão e da Baleia e todos os ignoraram. No dia seguinte, montou em um bode para impressionar seu irmão e caiu provocando risos e reprovação aos expectadores, sentindo-se humilhado.
  O menino mais velho havia ouvido de uma senhora que curou a espinha de seu pai (conhecida com Sinha Terta) a palavra “inferno”. Se encheu de curiosidade, queria aprender o que “inferno” significava e se gabar para o irmão. Foi perguntar para Sinha Vitória que respondeu que era apenas um lugar ruim. Não satisfeito com a resposta, recebeu um cascudo. Foi chorar perto de uma árvore, indignado com a atitude da mãe. Apesar dela ter lhe falado que “inferno” era um lugar ruim, para ele era uma palavra tão bonita. Baleia veio consolá-lo. Depois de se recuperar, tentou explicar a ela o que Sinha Vitória tinha feito, com um vocabulário tão escasso quanyo o do papagaio que eles haviam comido para sobreviver.
  Já estava anoitecendo e o menino mais velho estava receoso de entrar em casa. Queria esquecer que havia levado um cascudo por uma simples pergunta. Abraçou Baleia, a qual odiava ser apertada (preferia pular), mas que se encolheu para não decepcionar o menino mais velho. Ela imaginava o osso que poderia ganhar de Sinha Vitória.
  O inverno chegou. Passavam-se dias e noites seguidas chovendo. A família se juntava em volta da fogueira tentando se aquecer, aquele era o período do ano em que havia mais “fartura”.
  Pela primeira vez, Graciliano Ramos fala dos sentimentos de Fabiano em relação ao soldado amarelo. Logo quando saiu da prisão, pensou em matar o tal soldado, o delegado e o juiz, caso a seca chegasse. Mas agora chovia e o rio subia a ladeira. Uma possível enchente preocupava Sinha Vitória. E se a água chegasse até a casa? Eles teriam que subir o morro e permanecer lá por alguns dias.
  Fabiano e sua família, inclusive Baleia, foram para uma festa de natal na cidade. A caminhada era longa, aproximadamente 3 km. Fabiano ia com roupas apertadas feitas por Sinha Vitória, com uma bota de vaqueiro e ela ia com um vestido vermelho e um salto alto (que a desequilibrava) e os meninos com roupas feitas por Sinhá Terta. Fabiano tentava não perceber essa desvantagem.
  Durante a caminhada, eles tiraram os sapatos, chegando na cidade com os pés embarreados. Lá acharam uma bica, se limparam e colocaram os sapatos novamente.
  A festa já havia começado e eles estavam no meio da multidão. Fabiano se sentia inferior e sentia raiva, achava que todas as aquelas pessoas eram parecidas com o soldado amarelo. Com o pouco de dinheiro que tinha comprou cachaça. Embriagado, quis “arrumar briga” com as pessoas. Xingava, provocava e por sorte ninguém ouviu. Se o soldado amarelo aparecesse ali, Fabiano bateria nele.
  Cansado e bêbado, tirou o sapato apertado, o colarinho e a camisa, enrolou, e a fez de travesseiro. Acabou por adormecer numa calçada. Sinha Vitória, extremamente apertada para xixi, urinou em uma calçada próxima.
  Os meninos estavam surpresos com a quantidade de pessoas, com as barracas, as lojas, as luzes. Não conseguiam acreditar que tudo aquilo tinha nome, era impossível aquelas pessoas da cidade saber todos os nome. Baleia queria ir embora, havia muitas pessoas diferentes, muitos odores diferentes.
  Passado um tempo, Baleia adoeceu. Estava magra, com diversas partes do corpo sem pelos. “Estava para morrer.” Fabiano decidiu matá-la com uma espingarda, preparando-a bem para Baleia não sofrer muito. Ele também sentia dó, mas acreditava que a doença de Baleia não tinha mais cura.
  Sinha Vitória pegou os dois meninos e os enfiou no quarto, tampando-lhes os ouvidos. Os meninos perceberam o que ia acontecer e relutaram muito, afinal Baleia era um membro da família.
  Fabiano atirou em Baleia e inutilizou uma de suas pernas traseiras. A cachorra fugiu sem entender o motivo do dono de ter feito aquilo. Sentia vontade de morder Fabiano, mas como poderia fazer isso? Ele era o seu dono, ela jamais poderia fazer isso com ele. Adormeceu com a dor. Acordou quando já era a noite, sem entender onde estava e o que havia acontecido. Pensando em preás, em um Fabiano gigante, nos dois meninos, em um lugar lindo, adormeceu novamente, desta vez para sempre.
  Fabiano foi receber sua parte do gado que cuidará do patrão na cidade. Sinha Vitória havia contado o quanto ele precisava receber, usando várias sementes. Apesar de ter poucos conhecimentos, era ela quem calculava as despesas da casa. Mas chegando lá, o patrão lhe pagou um valor muito menor daquele que lhe era por direito. Fabiano contestou e o patrão, bravo, disse para ele arranjar emprego em outro lugar. Fabiano se acalmou, afinal, ele não tinha outro lugar para trabalhar.
  Fabiano saiu indignado. Ele não tinha onde cair morto, senão acusaria o patrão de ladrão e iria trabalhar em outra fazenda. Repensou, era impossível, ele mal sabia se expressar para conseguir outro emprego. Sentia raiva, quis beber, mas se lembrou que da última vez que o fez o soldado amarelo o prendeu. Por final, comparou, em sua mente, o patrão com o governo, especialmente porque o patrão usava, como o governo, uma linguagem que estava além de seu entendimento
  Já havia se passado um ano desde a prisão de Fabiano quando este estava na Caatinga procurando uma égua e sua cria, quando encontrou o soldado amarelo.
  Primeiramente, Fabiano colocou o facão no rosto dele, mas vacilou. Depois de muitos pensamentos invadirem sua cabeça, tornando-o cada vez mais indeciso em se vingar ou não do soldado amarelo, ele achou melhor deixá-lo prosseguir e lhe ensinou o caminho, afinal pensou: “governo é governo”.
  A seca “apertava”, os poços secaram. Um bando numeroso de aves vinha beber água no poço. Sinhá Vitória disse que o gado ia morrer por causa das aves. Fabiano demorou a entender que o gado ia morrer por que não ia ter mais água para beber (as aves iam beber tudo). Achava que Sinhá Vitória quis dizer que as aves matariam e comeriam o gado. Admirou sua esposa pelo “complexo pensamento”.
  Pegou a espingarda e foi atirar nas aves (era a comida da semana). A espingarda o fez lembrar-se de Baleia, sentia dó da cachorrinha. No caminho até o poço se arrependeu de não ter assassinado o soldado amarelo: mesmo se fosse preso, se tornaria um homem. Se arrependeu também de não ter se tornado um cangaceiro. Era um covarde, era um bicho, não merecia respeito (seus pensamentos).
  Matou uma série de aves. Sentia raiva, queria matar o soldado amarelo e seus superiores, sentia raiva do patrão, sentia raiva de ter matado Baleia. Pegou os corpos das aves, necessitava fugir dali, da seca, das lembranças de Baleia (não sabia se foi certo tê-la matado), do patrão que o roubava.
  A seca havia chegado e eles decidiram partir. Mataram um bezerro, salgaram a carne e começaram a caminhada. Não sabiam para onde ir, andaram para o sul. Na caminhada, Fabiano e Sinha Vitória “conversavam” (pouquíssimas palavras), um tentando dar esperança ao outro. No meio do dia, pararam em uma sombra.
  Fabiano viu uma depressão e achou que ali tinha um poço. Não sabia ao certo, mas precisava acreditar. Começou a pensar no cavalo que tinha abandonado na fazenda, não podia levá-lo, era do patrão. Ia morrer, magro com os urubus comendo seus olhos. Esse pensamento o incomodou, voltaram a andar, desta vez em direção ao poço.
  Assim termina o livro, semelhante ao começo, dando a ideia de um ciclo: eles iriam para outro lugar e iam ser enganados. A seca, após um tempo, chegaria, e eles partiriam novamente.

Texto de Graziella Toffolo Luiz

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Resumo de Memórias Póstumas de Brás Cubas


                 Resumo de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)


Autor e obra

  Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro e era filho de um mulato, gago e epilético. Ele se tornou o mais importante escritor brasileiro. Teve uma infância pobre, embora não desprotegida. Depois, o “o salto” para o centro da cidade (morava no subúrbio): a prematura militância cultural e jornalística,  as noções do liberalismo e a entrada para o funcionarismo público.
  Machado soube crescer numa sociedade que lhe era hostil. Desde menino, sonhava ser alguém na esfera da língua portuguesa. Contava, para isso, com rara observação e grande faro para a critica. O jornalismo lhe deu a prática do texto, o gosto pelo simples, a fuga á frase tradicional. Machado queria escrever para todos, compondo obras, romances, contos, teatros, crônicas, criticas, dentre outros.
  Conforme sua vida foi passando Machado se tornou elitista? Dizem que tinha vergonha da madrastra, que não se importava com os negros, que fora “embranquecendo” aos poucos, etc. Teve uma vida recatada e caseira, casou-se, foi nomeado para diferentes cargos (com destaque a Presidência da Academia Brasileira de Letras). Morreu em 1908.


Características

- Obra realista.

- A crítica implícita do livro é a “constatação” de um cenário contraditório da vida. Há no livro dois tipos de relação humana ( que são opostas) : a relação fingida, são prazerosas e constituídas por ascensão, poder e gozo e a relação verídica, são dolorosas e constituídas por acontecimentos que a natureza, o tempo ou o acaso impõe.

- Narrador-personagem, onisciente. É um defunto-autor que “regula” ou “censura” o que vai transmitir;  valorizando suas análises, suas conclusões em detrimento do real.

- O tempo é uma das estruturas centrais, estando ele fora de nós e até mesmo contra nós.

- Há no livro personagens felizardos, mas não felizes. Ninguém consegue ser sincero ou verdadeiro.

- Para Brás, as certezas absolutas são tolas.

- A maior parte dos realistas julgara a vida humana por princípio fracassada, o que não ocorre em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

- Há no livro um pessimismo; uma insistência na dor, no fracasso, na implacável passagem do tempo.

- Universalidade

- É uma historia de amor adulterino, sem idéia de pecado. Quanto a sensualidade, Machado prefere sugerir, não declarar.

- Quem erra, paga, e quem não erra também paga. Portanto, a dose de sofrimento não é proporcional á dose de erros cometidos.

- Em algumas partes o autor usa a “ausência capítulos em branco de palavras” para expressar com mais precisão o que se quer dizer.

- O livro inaugurou o realismo no Brasil.

- Não há nenhum compromisso com o leitor, ao contrário do que ocorre em “Dom Casmurro, em quem o narrador precisa convencer o leitor, precisa de sua aceitação.

- Metalinguagem: Machado convida o leitor a refletir sobre a estrutura da obra e perceber dois níveis de leitura: a que revela diretamente o personagem e a que faz o objeto de critica do autor.

- Várias vezes é citado livros, frases, acontecimentos históricos (intextualidade).

- Digressão : “vai e volta” no tempo.

- Ironia, no livro, é um recurso para fazer o leitor desconfiar das declarações de Brás.

- O gênero narrativo do livro chama-se sátira menipéia. O principal desse gênero é que ele mistura as crenças mais contrárias e vira de cabeça para baixo as crenças mais notáveis de uma época.


Tempo e espaço

A sociedade são as classes altas da vida carioca. A época vai do primeiro ao último reinado. Gravitam em torno da elite a classe média e alguns da classe baixa. Machado mostra esses contrastes.
A sustentação do país era agrária, com ênfase na exportação de matéria-prima e na importação de manufaturados. Nossas elites eram precárias, utilizando muito a cultura européia e o autor mostra essa máscara.


Personagens

Brás Cubas- filho abastado da família Cubas, é o defunto autor, contado suas memórias após sua morte. Era um burguês arrogante e entediado, muito apegado ao dinheiro. Sempre foi incapaz decidir sua própria vida, sendo a única oportunidade em que tomou uma posição firme foi durante a partilha dos bens de seu pai. Se mostra, diante de alguns acontecimentos em sua vida mesquinho, vingativo e preconceituoso.

Venância- sobrinha de Brás.

Virgília- era formosa, apegada ao dinheiro e ao “status”, foi o grande amor de Brás.

Nhonhô- único filho de Virgília e Lobo Neves.

Ildefonso- tio de Brás, cônego, puro e severo. Possuía um espírito medíocre.

João- tio de Brás, militar, vida galante e “língua solta” (falava besteiras).

D. Emerenciana- tia materna de Brás, era quem possuía mais autoridade sobre ele (durante sua infância).

Dr. Vilaça- glosador (poeta), cabelos grandes, era admirado (e até invejado).

Quincas Borba- durante o livro passa por profundas transformações. Autor da teoria do Humanitismo. Era colega de sala de Brás, nessa época inventivo e travesso.

Marcela- foi em quem Brás deu o primeiro beijo, sua paixão adolescente.Luxuosa, inescrupulosa, impaciente, movida por dinheiro e espanhola.

Sabina- irmã de Brás

Cotrim- marido de Sabina, honesto, trabalhador, avaro, se envolvia com o tráfico negreiro.

Sara- filha de Sabina e Cotrim, morre no decorrer do livro.

D. Eusébia- possuía um caso com Dr. Vilaça desde quando Brás era menino.

Conselheiro Dutra- pai de Virgília, possuía influência política.Risonho, jovial e patriota.

Eugênia- fruto do caso de Dr. Vilaça e D. Eusélia (chamada por Brás de “filha da moita”, já que quando criança flagrou os dois se beijando atrás de uma moita). Era morena e bonita, porém coxa (fato bem retratado no livro).

Lobo Neves- marido de Virgília, era ambicioso e possuía uma carreira política sólida.

Luís Dutra- primo de Virgília, escrevia versos. Desconfiava do romance de sua prima e Brás.

Baronesa X- bonita, elegante e fina. Desconfiava do romance de Virgília e Brás.

Viegas- idoso, avaro, muito doente e rico. Parente de Virgília, desconfiava do romance dela com Brás.

D. Plácida- dona-de-casa, teve uma vida de muito trabalho e sofrimento (pobreza). Cuidava da “casinha” de Brás e Virgília.

Damasceno- casado com a irmã de Cotrim, se fingia de rico, revolucionário e patriota: um poço de aparências e de frustrações escondidas.

D. Eulália (ou Nhá Loló)- filha de Damasceno, era graciosa, possuía uma voz mimosa, gostava de óperas e cantava.

Prudêncio- escravo de infância de Brás, ganha mais tarde sua alforria.


Síntese

  Escrito em 1° pessoa, Brás decide, já morto, no além, começar a contar sua historia pelo fim. "Não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor”.
  Brás morrera aos 64 anos, menos por pneumonia e mais por uma “ideia fixa” (criação de um emplasto): fracassa na invenção do emplasto, com que curaria a humanidade e ficaria célebre ( e famoso, seu principal objetivo). Em seu enterro compareceu 10 pessoas.
  O nome Cubas vinha de tanoeiros, profissão nada aristocrática.O defunto conta que seu pai tentava maquilar essa origem.
  Virgília, dias antes de sua morte, veio visitá-lo. Ele estava de cama e ela sentou-se ao seu lado, contando as notícias da cidade. Ele pediu que ela ficasse e dois dias depois ela veio com o seu filho.
  Ele começou a delirar, foi uma espécie de um sonho (logo no início desse capítulo que conta o sonho o narrador avisa que ele é totalmente desnecessário para a compreensão do livro, e que ele poderia ser pulado). Nesse sonho surgiu Pandora, gigantesca mulher, que representava a força, a natureza. Ela era uma visão alegórica da história humana, uma vez que a história era central na cultura do século passado. Brás diz que a razão voltou ao seu cérebro e com esforço fez a loucura ir embora. Logo ele morreu.
  Brás nasceu em 20 de outubro de 1805. Com 5 anos ganhou a fama de “menino diabo”. Cheio de travessuras (montava em seu escravo, Prudêncio) e mal educado possuía um gênio indócil. Seu pai o mimava (e o adorava) enquanto sua mãe (de pouco cérebro e muito coração) o fazia decorar rezas e pedir perdão pelas suas travessuras.
  Seu tio João não respeitava a batina de seu próprio irmão Idelfonso nem a adolescência de Brás (falava-lhe sobre sexo). Já Idelfonso possuía um espírito medíocre, uma vez que não via a parte substancial da Igreja e sim a hierarquia. Contudo, era puro e severo.
  A família de Brás dividia-se entre os que adoravam e os que detestavam Napoleão. Quando Napoleão “caiu”, uma parte da família resolveu dar um jantar comemorando sua destituição (o jantar era o desejo de ostentação, de se comparar as elites europeias  o que era ridículo, uma vez que as elites brasileiras possuíam escravos e o Brasil era exportador e dependente).
  Nesse jantar D. Villa glosava (montava versos) sendo o centro das atenções. Todos estavam gostando, menos Brás, que queria comer a sobremesa (ainda era um menino). Começou a espernear até D. Emerenciana pedir a uma escrava que o retirasse da mesa.
  Dr. Villa aproveitou o acontecido e glosou sobre a exclusão de Brás, que decidiu se vingar. Mais tarde, quando todos andavam pela chácara, o menino seguiu Dr. Villa e viu ele atrás de uma moita beijando D. Eusébia. Como vingança, saiu gritando o acontecimento a todos: “O Doutor Vilaça deu um beijo em Dona Eusébia!”.
  A escola foi “comum”. Brás afirmou que só aprendeu devido aos castigos da palmatória. Um de seus colegas era Quincas Borba, muito travesso e inteligente.
  Brás, com 17 anos, se apaixonou por Marcela. Em uma festa na casa dela ele a beijou. Houve dois períodos em seu amor: um foi a disputa com outro moço, Xavier e outro foi de Marcela só para Brás.
  Brás gastava muito com ela (presentes), dos quais muitos eram jóias. Seu pai descobriu que ele devia 11 contos de réis, se enfureceu e avisou-lhe que ele iria estudar em Coimbra (Lisboa) para se distanciar da moça.
  O adolescente contou a Marcela sobre a “crise” e pediu que ela viajasse junto com ele. Ela não quis ir até quando ele lhe deu um pente de diamantes. Com o luxuoso presente Marcela aceitou seu pedido.
  Saindo da casa da amada Brás foi pego por seu pai que o enviou para Lisboa. Marcela, contudo, não foi ao cais: a luxuosa adolescente o enganou. ”Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis”.
  Brás iniciou a viagem muito triste e deprimente (pensava em se matar), devido ao abandono de Marcela. O chefe do navio era um capitão-poeta (durante a viagem leu seus versos para Brás), com sua esposa enferma, que morreu durante a viagem e foi jogada ao mar. Terminou a viagem bem, resolveu esquecer Marcela e como o capitão-poeta disse ele tinha “ um grande futuro!”.
  A viagem é a “ligação” entre dois mundos, dois estados, dois momentos de vida: terminava a adolescência, começava a mocidade. Logo pode-se dizer que essa passagem é uma “ilha” no livro.
  Brás se formou e guardou o diploma, pois ao mesmo tempo que esse lhe dava liberdade também dava responsabilidade, e foi viajar pela Europa.
  Em uma dessas viagens seu cavalo ficou estressado e disparou, quando um almocreve (homem que se ocupa em conduzir bestas de carga) ajudou-o. Era um homem simples, mal-vestido, mas de um coração enorme, o qual o acompanhou em uma parte da vigem.
  De principio Brás pensou em retribuir o favor que o almocreve fez dando-lhe três moedas de ouro, depois uma, depois somente uma de prata. Deu-lhe a de prata, mas depois se arrependeu e achou que tinha que ter lhe dado apenas uma de bronze. Isso mostra o quanto Brás era mesquinho.
  Brás recebeu uma carta de seu pai o qual pediu que ele voltasse, pois sua mãe estava muito doente. Ele voltou e se sentiu renovado por entrar novamente em sua “terra”. Sua mãe realmente estava mal e logo morreu. A morte de um entre próximo lhe pareceu estranha e obscura.
  Brás recusou o convite da irmã e do cunhado para morar com eles e foi para uma antiga propriedade de sua família, junto com Prudêncio. Durante alguns dias ele se manteve solitário, pensado no ocorrido. Ele disse que quando sua mãe morreu nasceu nele uma flor hipocondria (tristeza profunda; melancolia).
  Prudêncio avisou-lhe que D. Eusébia mudou para uma casa vizinha. A mulher teve uma filha chamada Eugênia com Dr. Vilaça. Ele a chamava de “flor da moita” e ela já era uma adolescente. Brás decidiu visitá-las e depois voltar a morar na cidade.
  Seu pai veio visitá-lo e disse que um regente havia mandado uma carta de pêsames e que ele deveria ir agradecer (para assim obter um cargo político). Disse também que ele precisava se casar com uma moça chamada Virgília.
  Brás fez um capítulo para falar que era a mesma Virgília que veio visitá-lo em seus últimos dias. Nessa época ela tinha 16 anos, era bonita, fresca, ignorante e pueril.
  Inicialmente Brás disse que ou aceitava casar ou entrar na carreira política. Seu pai lhe disse que poderia ser, desde que ele fosse feliz. Com tais palavras a “flor de hipocondria” voltou a ser botão e deixou outra flor brotar, ”o amor da nomeada”, a mesma do emplasto Brás Cubas. Assim ele aceitou os dois pedidos do pai, que satisfeito foi embora.
  Brás entrou no quarto e viu uma borboleta preta pousada no retrato do seu pai. Aquilo o incomodou (associou a cor preta da borboleta com um possível acontecimento ruim com seu pai) e ele bateu na borboleta,matando-a. Foi visitar D. Eusébia.
  Conheceu Eugênia que já tinha 16 anos. Achou-a bonita. No dia seguinte ele foi jantar na casa delas, por insistência de D. Eusébia. Quando estavam andando pela chácara percebeu que Eugênia mancava, perguntou se ela havia se machucado e ela respondeu que era coxa. Ele se sentiu grosseiro.
  Brás deixou-se ficar pelo resto da semana. Ele se excitava com Eugênia, porém, ela era coxa. Depois de dias juntos, aconteceu o 1° beijo, o que fez Brás lembrar do beijos de D. Eusébia e Vilaça. Tempos depois Brás decidiu ir embora antes que se apaixonasse mais por Eugênia, afinal, ela era coxa. Eugênia reagiu mal, pois, ela percebeu o motivo que seu amado a deixava.
  No romance Brás compara Eugênia a borboleta preta. Ele (como já havia pensado) não mataria a borboleta se ela fosse azul. Ele também não deixaria Eugênia se ela não fosse coxa (manca). Esse é um exemplo de digressão. A borboleta representava Eugênia, por isso pousou no quadro do pai de Brás. Se Brás a aceitasse (mesmo sendo coxa), iria atrapalhar os planos de seu pai.
  Brás voltou a cidade e conheceu Virgília e o Conselheiro Dutra. Virgília era como seu pai havia descrito e eles se deram bem.
  Brás estava indo para o seu primeiro discurso na câmara dos deputados quando seu relógio quebrou. Entrou em uma relojoaria e se deparou com Marcela, feia, com uma aparência velha, arrependida. Ela contou-lhe de sua vida: havia se tornado viúva e o que restará era a relojoaria, a qual não era muito frequentada.
  Apesar de tudo, a espanhola ainda era ambiciosa. Seu relógio ficou pronto e ele se foi, chegando atrasado em seu compromisso. Virgília se chateou com o atraso.
  De repente surgiu Lobo Neves, que não era mais bonito que Brás. Em poucas semanas ele “roubou” Virgília e o cargo político que ele almejava na câmara de deputados. Brás não se abalou muito. Virgília casou-se porque Lobo Neves prometeu fazer dela uma marquesa.
  Relatando o término do namoro, Brás escreveu no livro: “O lábio do homem não é como a pata do cavalo de Átila, que esterilizava o solo em que batia; é justamente o contrário”. Tal frase sugere que o futuro filho de Virgília, Nhonhô, podia ser de Brás, lembrando que essa temática também ocorre em Dom Casmurro.
  O pai de Brás não aguentou ver seu filho perder a carreira política e o casamento. Dentro de 4 meses morreu, não conformado por não ter conseguido deixar Brás em uma “posição melhor”.
  Houve uma briga para dividir a herança entre Brás, Sabina e Cotrim. Foi a primeira briga dos irmãos. Sem Virgília e brigado com Sabina e Cotrim, Brás passou anos em solidão, escrevendo política e literatura para os jornais.
  Arranjou um “companheiro”, o Luís Dutra, que também escrevia. Seus versos eram mais valiosos que os de Brás. Porém, ele sempre ia na casa de Brás pois era inseguro e queria a opinião dele sobre seus novos versos. Brás falava de tudo, menos do que achou dos versos, justamente para desanimá-lo e destruí-lo.
  Em uma dessas visitas Luís comentou com Brás que Virgília e Lobo Neves (já era deputado) haviam voltado pra o RJ com um filho, Nhonhô.
  Foi em um baile o reencontro de Brás e Virgília. Eles valsaram juntos e a cada baile se aproximavam mais. Brás se encantava com ela e passou a sentir que possuí-a.
  Em uma dessas noites de baile, voltando para casa, Brás achou uma moeda de ouro. Mandou uma carta a polícia pedindo que achassem o dono. Tal acontecimento se espalhou pela cidade.
  Um dia, caminhando pela praia, Brás achou um embrulho com 5 contos de réis. Ao invés de devolver, ele pegou o dinheiro para ele e foi depositá-lo no Banco do Brasil. No banco, todos elogiaram-no por ter devolvido a moeda de ouro, o que é irônico, pois o dinheiro do embrulho (que tinha um valor muito mais alto) Brás não devolveu.
  Em uma noite Brás e Virgília se beijaram e a partir daí o romance fluiu. Só agora Brás percebeu que antes de surgir Lobo Neves, em seu namoro, ele amava Virgília. Na época, amava só, sem saber que amava. Só agora ambos entenderam que se amavam.
  Um dia Lobo Neves desabafou com Brás, dizendo que estava “chateado” com sua vida, que a política era suja. Depois pediu segredo e sentiu que não devia ter desabafado.Logo depois, andando na rua, Brás avistou seu ex-colega, que hoje era ministro e isso fez Brás querer ser também.
  Mais a frente surgiu um mendigo que o reconheceu. Era Quincas Borba, o amigo de infância, agora maltrapilho e pensador do Humanitismo (ou Borbismo). Brás se abalou com a situação dele, lhe deu dinheiro e ofereceu-lhe um emprego.
  Quincas aceitou com muita felicidade o dinheiro, conquanto recusou o emprego. Abraçou Brás e se foi. Quincas, no abraço, havia roubado seu relógio.
  Dias depois foi ver Virgília e a encontrou triste. Ela achava que Lobo estava desconfiando de sua traição e tinha medo de ele matá-la. Brás propôs que eles fugissem, porém Virgília assustou-se e não disse nada. Lobo Neves chegou e Brás jantou com eles. Dentro de Brás iniciou-se uma raiva de Virgília e ainda mais de Lobo. Foi embora.
  No dia seguinte foi vê-la e encontrou-a arrasada pelo modo com que ele a tinha tratado no jantar (com frieza). Brás disse que o amor tinha acabado e houve uma discussão, porém logo pediram desculpas e se preocuparam se alguém não havia ouvido a briga. Chegou a Baronesa X e Brás foi embora.
  Brás Cubas recebeu um bilhete de Virgília, o qual dizia que a Baronesa X lhe contou que muitas pessoas estavam comentando da suposta relação deles.
  Escondido, Brás foi conversar com Virgília. Ela não ia fugir, pois amava Brás tanto quanto sua aparência pública. Resolveram então arranjar uma casa discreta, um ninho de amor. Surge uma casinha na Gamboa. Plácida,a antiga servidora de Virgília, vai lá residir, para manter as aparências.
  Brás encontrou na praça Prudêncio, seu ex-escravo batendo no escravo no escravo dele, que era um bêbado. Brás reprovou tal atitude e pediu que Prudêncio o perdoasse. O intrigante é que Prudêncio, agora livre, decidiu ter escravo. Onde fica a triste experiência do escravismo? O narrador conclui que Prudêncio era assim porque sua liberdade foi dada (e não conquistada).
  Para que D. Plácida mantivesse em segredo o romance proibido, Brás lhe pagou uma quantia altíssima. D. Plácida perdeu os pais cedo, casou-se, teve uma filha que fugiu com um homem, se tornou viúva. Teve uma vida difícil e sofrida até encontrar Virgília.
  Neves foi convidado para uma presidência de província, no Norte. Os amantes temeram a iminente separação. Brás foi convidado por Lobo para ser seu secretário em seu novo cargo e ele aceitou.
  Sabina ,Cotrim e Sara foram visitar Brás. Finalmente fizeram as pazes. O casal deixou claro que não gostavam muito da ideia de Brás ir para o norte.
  No dia seguinte Brás começou a “divulgar” que iria ser secretário de Lobo e mudar-se. As pessoas olhavam com desconfiança, riam com malícia. Enfim, o caso já era público. Cotrim disse-lhe que ir para o norte com Lobo e Virgília era muito arriscado.
  Na casinha na Gamboia Brás foi encontrar a amada. Ele contou a ela que estava pensando em desistir de ir para o norte. Ela riu e contou-lhe que não era mais necessário preocupar-se, pois a nomeação de Lobo Neves saiu no jornal justo no dia 13 e ele tinha bronca desse número.
  O pai de Lobo “morreu no dia 13, 13 dias depois de um jantar em que havia 13 pessoas.A casa em que morrera a mãe tinha o n° 13.” A superstição transforma Neves num palhaço.
  A quase separação fez Brás e Virgília se amarem com mais ardor. Esse foi o ponto mais alto do romance.
  Viegas morreu em uma tarde em que Brás e Virgília foi visitá-lo, discutindo com um comprador que queria comprar sua casa por menos de 40 contos de réis. Além de “mão-de-vaca” era muito doente. Virgília sempre o tratou muito bem, com o interesse em que ele deixasse uma parte da sua herança ao seu filho, o que não aconteceu.
  Virgília estava grávida, supostamente de Brás, que passava horas conversando com o embrião, imaginando-o de todas as formas: bebê,adolescente,adulto,mas em todas elas ele era um homem,e nunca uma mulher.
  Brás recebeu uma carta de Quinca Borba junto com um relógio parecido com aquele que ele roubou (inclusive marcado com as iniciais de Brás). Somente pelo fato de ter devolvido o relógio, percebe-se que suas condições de vida estavam melhores.
  Damasceno veio entregar a Brás um convite de Cotrim para que ele fosse jantar lá, e Brás ficou encantado com a pessoa e as histórias de Damasceno (o que não passava de aparências).
   Após o jantar Sabina perguntou o que Brás achou de D. Eulália (filha de Damasceno), afirmando que ele tinha que casar com ela, querendo ou não, pois já estava muito velho (por volta de 50 anos).
  Brás foi visitar Virgília e Lobo Neves estava lá. Ele reparou que quando perguntava da gravidez Virgília se acanhava. Era que ela tinha medo (pois no primeiro parto, de Nhonhô, ela quase morreu) e tinha vexame de estar grávida, já que isso iria privá-la de ir em certos lugares.
  Virgília perdeu o bebê e Lobo e Brás se abalaram também. Lobo recebeu uma carta anônima que denunciava o envolvimento de Brás e Virgília. A partir disso Lobo começou a tratar Brás friamente.
  Brás não entendia o motivo do afastamento e um dia foi visitar Virgília e sem querer ouviu Lobo conversando com Virgília sobre a carta anônima (ele esperou ela se restabelecer do aborto).
  Brás se chateou com a reação da amada que reagiu com tranqüilidade moral e sem nenhuma comoção, apenas dizendo que era uma calúnia infame.
  O casal se encontrou na casinha em Gamboia, onde Virgília disse que Brás não merecia os sacrifícios que ela lhe fazia passar. Ele silenciou e foi dar-lhe um beijo na testa e ela recuou. Entre a boca e a testa poderia haver ressentimento,desconfiança e/ou saciedade.
  Brás foi ao teatro e ele e D. Eulália se atraíram. Encontrou Lobo Neves, o qual voltou a lhe tratar como antes.
  O casal mais uma vez foi se encontrar em Gamboia quando Lobo Neves apareceu. Brás se escondeu num armário e D. Plácida contou a Lobo que Virgília veio visitá-la. Logo Neves e a Virgília se foram.
  Brás se preocupou com o que poderia acontecer a ela. Pensou que era melhor ele se casar logo com D. Eulália e acabar com esse jogo perigoso. Assim que pode Virgília mandou-lhe um bilhete dizendo que Lobo estava desconfiado e que precisavam tomar mais cautela. O bilhete não demonstrava emoções.
  No mesmo dia Brás recebeu a visita de Quincas Borba, que enriqueceu depois de ter recebido a herança de um tio. Não apresentou sua teoria (Humanitismo) porque Brás pediu, afirmando que estava em um dia ruim.
  Uma semana depois Lobo foi nomeado para a presidência de um província no Norte, e dessa vez a publicação saiu no jornal no dia 31. O casal se despediu sem choro e sem desespero.
  Inicialmente Brás agiu como um viúvo, ficando em casa sem fazer nada. Conforme o tempo passou ele foi voltando gradualmente a sua vida pessoal. Nesse período a filha de Cotrim nasce, Venância, e o seu tio Cônego faleceu.
  Sabina “arranjou” todo o casamento de Brás e Nhá Lobo sem que ele percebesse.J á Quincas apresentava sua teoria humanista, querendo que ele se convertesse ao humanitismo. O Humanitismo prega que o mais importante é o seu nascimento (sem ele você não estaria vivendo) e logo, você mesmo. A dor é uma ilusão. Borba leu para Brás seus volumes humanitistas, fascinando-o.
  Havia três forças que agiam sobre Brás naquele momento: Sabina,Quincas Borba e uma vontade de agitar (a multidão o atraía).
  Sabina exigia que Brás se casasse. Ele aceitou já que naquele momento sentia necessidade de fazer algo. O casal começou a sair na presença de Damasceno que certa vez apostou numa briga de galo, provocando vergonha na filha. Quincas apoiava o casamento.
  Sara, filha de Cotrim, faleceu, abalando muito o pai. Eulália morreu de febre amarela aos 19 anos. Damasceno, um tempo depois, confessou que se chateou tanto com a morte da filha porque convidou 80 pessoas para o enterro e só comparecerão 12.
  Mais uma vez Machado de Assis livra Brás de uma colisão. Se ele se casasse passaria a viver com pessoas falsas e interesseiras.
  Lobo e Virgília voltaram. Brás a encontrou em um baile, estava magnífica, enquanto ele já tinha 50 anos. Quincas disse que ele tinha que aceitar a lei do tempo e aproveitar mais a vida. Brás concordou e decidiu se envolver mais na política.
  Em seu primeiro discurso Brás sugeriu diminuir o uso da barretina (chapéu de couro usado por militares) usando, entre outros argumentos, que a barretina era anti-higiênica. Com isso ganhou muitos oposicionistas e logo perdeu sua cadeira de deputado.
  Se entristeceu. Quincas então deu a ideia dele abrir um jornal, dizendo que ele não poderia parar de lutar. ”Vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal”.
  Brás recebeu uma carta de Virgília afirmando que D. Plácida estava doente e precisava de ajuda. Pensou em não ajudá-la, afinal já havia dado a ela 5 contos de réis. Mas ajudou, por consideração à Virgília.
  Levou-a para um hospital no qual amanheceu morta uma semana depois “Saiu da vida as escondidas, tal como entrara“. D. Plácida havia se casado com um homem, o qual fugiu com seu dinheiro, por isso ela estava pobre de novo.
  Brás lançou um jornal oposicionista ao governo, o qual apresentava uma política humanista de Borbas, sendo que Cotrim e Sabina foram contra o jornal. Cotrim publicou em outros jornais que não concordava com as atitudes de Brás. Esse não acreditou no que lia, considerando a falta de apoio do cunhado um problema insolúvel.
  Depois de 6 meses e jornal faliu. Lobo morreu e Brás sentiu prazer, pois se isso não acontecesse logo Lobo se tornaria ministro. Brás foi ao enterro no qual Virgília se mostrou muito abalada. Ela o traiu com sinceridade e agora chorava sua morte com sinceridade.
  Brás reconciliou-se com Cotrim mesmo sem entender o porquê de sua declaração nos jornais. Foi convidado por ele para participar da Ordem Terceira, uma organização humanitária. Essa foi a fase mais brilhante de sua vida.
  Após 4 anos, entediado, saiu da ordem. Houve dois encontros importantes nesse período: Brás viu Eugênia, em um cortiço, miserável e ainda manca e viu no hospital da Ordem Marcela, a qual morreu, feia e magra.
  Quincas foi para MG e voltou parecendo um mendigo, como antes. Mas seu olhar estava diferente, era um demente. Quincas disse a Brás que havia queimado todo o seu manuscrito humanista e que iria reescrevê-lo. Tempos depois morreu em sua casa, ainda afirmando que a dor era uma ilusão.
  Brás logo adoeceu e morreu, levando consigo a ideia emplasto, que iria curar a humanidade da hipocondria. Não alcançou a celebridade do emplasto, não foi ministro, nem casou. O que foi bom é que ele nunca precisou trabalhar, sempre teve dinheiro.
Assim sendo, só não saiu “quite” com a vida porque não teve filhos. "Não tive filhos, não transmite a nenhuma criatura o legado de nossa miséria".

Texto de Graziella Toffolo Luiz

Resumo Sentimento do Mundo


O resumo de Sentimento do Mundo é o único que iremos copiar, pois é o único livro de poemas e nós não sabemos interpretar.  Portanto, pesquisamos um resumo completo, que possui todos os poemas e a explicação embaixo. Aah, lembrando que até quinta, no máximo, todos os resumos já estarão no blog para o pessoal que vai prestar Fuvest! O link de Sentimento do Mundo está ai embaixo J

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/s/sentimento_do_mundo_livro

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Simbolismo a Modernismo - Episódio 3

O 3º vídeo já está disponível!Nele explicamos Simbolismo, Parnasianismo e Modernismo!Assistam e qualquer dúvida comentem :) http://www.youtube.com/watch?v=0L9DPe2Aris

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vídeo Episódio 2

O 2º vídeo já está disponível!Nele explicamos, de maneira divertida, literatura de informação, neoclassicismo(ou arcadismo), romantismo e realismo-naturalismo!Aprendam se divertindo :D  http://www.youtube.com/watch?v=6zEKrv4zRwQ&feature=plcp